26 de Abril de 2026. Pavilhão Municipal de Tomar. O Sporting Clube de Portugal voltou a conquistar a Taça de Portugal de Hóquei em Patins (pela 6ª vez) repetindo o feito da época anterior, ao vencer o OC Barcelos por 4-0, na final disputada neste domingo.

Depois do Campeonato do Mundo de Clubes e da Supertaça António Livramento, este foi já o 3º troféu da temporada para os leões.

Na Cidade dos Templários, Edo Bosch lançou de início Xano Edo, Rafael Bessa, Danilo Rampulla, Facundo Navarro e Gonzalo ‘Nolito’ Romero, e pouco tempo bastou para se perceber a intensidade que marcaria toda a final.

Após uma enorme defesa de Guillem Torrents, o OC Barcelos lançou-se para o ataque e, num lance confuso junto à baliza verde e branca, a equipa de arbitragem considerou que Xano Edo tentou defender sem stick. Chamado à conversão da respetiva grande penalidade, Ivan Morales encontrou pela frente um inspirado guardião português, que se ‘redimiu’ e travou não só o primeiro remate, mas também o ressalto. Sorte de uns, infelicidade para o avançado, que, no seguimento da jogada, acabaria expulso após queda com Danilo Rampulla. Recorrendo às imagens, a equipa de arbitragem considerou que o espanhol agrediu o argentino no chão e, com mais um jogador em pista, o Sporting CP não desperdiçou o power play. A imprimir uma rapidíssima circulação pela direita, Facundo Navarro e Danilo Rampulla combinaram e a bola encontrou Gonzalo Romero na quina oposta da área. A finalizar de primeira a triangulação argentina, o capitão rematou e fez o 1-0 aos 3 minutos.

O domínio verde e branco ganhou maior expressão logo 1 minuto depois: num lance “tirado a papel químico”, o camisola 99 voltou a concluir da melhor forma o veloz ataque do Sporting CP, que, em vantagem e em superioridade, estava naturalmente mais confortável no rinque.

O jogo continuou a proporcionar episódios de tensão, naturais numa final, e, aos 5 minutos, Rafael Bessa viu cartão azul após uma disputa com Miguel Rocha. Com as duas equipas reduzidas a 4 elementos, os leões estiveram novamente perto de ampliar a vantagem: Danilo Rampulla surgiu sozinho, em transição, e foi travado por mais uma intervenção decisiva de Guillem Torrents.

Num jogo bastante quezilento, com inúmeras pausas para análise de lances e também para reparar uma tabela, o guardião assumia-se como figura maior do emblema de Barcelos e voltou a negar o golo verde e branco aos 17 e aos 18 minutos, com duas intervenções espetaculares a remates de Roc Pujadas e Danilo Rampulla.

Aos 21, o guarda-redes do OC Barcelos voltou a brilhar e, na resposta, também Xano Edo manteve a baliza verde e branca a zeros. O camisola 47, fundamental, voltou a destacar-se com mais uma enorme defesa e segurou o resultado aos 23, dividindo com Guillem Torrents os louros de uma primeira parte longa e cheia de incidências – desde o apito inicial, foram precisos 65 minutos para se completarem 25’.

Após o cartão azul visto por Miguel Rocha aos 24 minutos, o Sporting CP regressou em power play para o 2º tempo, mas não conseguiu ultrapassar a bem organizada defensiva barcelense. Ainda assim, por cima do encontro, os leões chegariam mesmo ao 3-0 já de igual para igual. Mérito para Rafael Bessa, que, a patinar a partir da esquerda, descobriu Nolito na cara do guardião, e mérito para o argentino, que, cheio de intenção, desviou para um celebrado “hat trick”.

Aos 35 minutos, Guillem Torrents impediu que o resultado ganhasse contornos mais pesados e, com uma defesa de outro mundo, não permitiu que Diogo Barata marcasse. Do outro lado, Xano Edo assinava uma exibição cada vez mais imponente, sereno entre os postes e a fechar todos os caminhos para uma reação adversária.

Aos 41 minutos, o internacional português voltou a assumir o protagonismo e travou um livre direto apontado por Kyllian Gil, após a 10ª falta do Sporting CP. E não se ficou por aí: aos 45, agigantou-se perante Miguel Rocha e, na disputa pelo ressalto, também o OC Barcelos acabou por atingir o limite de faltas – convite para Nolito fazer um impressionante poker, que o argentino não rejeitou, brilhante na forma como enganou Guillem Torrents com um gingado de corpo e encontrou espaço por entre o buraco da agulha para fazer o 4-0.

Até final, os leões geriram a vantagem, embalados pelos cânticos dos muitos sportinguistas presentes nas bancadas, num ambiente de enorme festa.

A equipa: Xano Edo [GR], Rafael Bessa, Danilo Rampulla, Facundo Navarro e Gonzalo ‘Nolito’ Romero [C], Zé Diogo Macedo [GR], Diogo Barata, Roc Pujadas, Facundo Bridge, Henrique Magalhães. Treinador: Edo Bosch. Disciplina: cartão amarelo para Xano Edo (2’).

Após a conquista da 3ª competição da temporada e da 6ª Taça de Portugal do palmarés verde e branco, voz aos protagonistas. Em declarações à Sporting TV, equipa técnica e jogadores mostraram-se muito felizes.

Edo Bosch
“É uma equipa magnífica, fantástica, que trabalha desde o mês de Agosto e que em 4 finais, ganhou 3. É uma coisa inédita. Os adeptos do Sporting CP têm de estar orgulhosíssimos destes jogadores. Deixam tudo em campo e o mais impressionante é a família que são. Eu, como treinador, nunca tive um grupo em que os jogadores gostassem tanto uns dos outros. Já o disse anteriormente: podia deixar de ser treinador hoje mesmo e estaria orgulhoso de ter treinado esta equipa fantástica. Já tínhamos jogado 5 vezes contra o OC Barcelos esta temporada e sabíamos que eles fazem do físico uma arma, e bem. Sabíamos que tínhamos de estar sempre focados, sem perder o controlo emocional do jogo. E assim fizemos. Acho que fizemos um jogo defensivo digno dos manuais, e, a nível ofensivo, fomos muito inteligentes. Tínhamos um plano de jogo que era fazer exatamente o que fizemos hoje e a verdade é que tudo nos saiu na perfeição. Quarta-feira temos um jogo muito difícil com a UD Oliveirense e sábado outro contra a AD Valongo, em casa. Portanto, hoje vamos desfrutar, mas com cabeça, porque ainda falta muito. Faltam 2 títulos para disputar e queremos estar, pelo menos, nas decisões.”

Pedro Gil, director técnico
​”Ganhar títulos pelo Sporting CP é sempre um prazer, sempre um orgulho. É para isso que trabalhamos diariamente e estou muito contente por ganhar a 3ª de 6 Taças do Clube. Quando uma pessoa faz anos no dia em que se joga uma final, a melhor prenda que pode receber é ganhar a Taça de Portugal.”

Facundo Navarro
“Quero dar os parabéns ao OC Barcelos, que fez uma grande competição. E parabéns a nós, merecemos isto. Trabalhamos para isto no dia a dia, o ano todo. Das 4 taças que disputámos até agora, chegámos a 4 finais e ganhámos 3. Isto é mérito nosso. Muito obrigado a todos os Sportinguistas que estiveram aqui a apoiar e em casa também.”

Danilo Rampulla
“Boa noite a todos os sportinguistas. Obrigado por este ambiente, foi uma coisa incrível. Não é só o facto de vencer, é o facto de acompanharem a nossa modalidade. Enche-nos o coração que nos acompanhem, e nós treinamos e deixamos tudo no campo. Por isso, obrigado sportinguistas, e obrigado aos meus colegas, que me deram mais um título. Para nós nunca foi fácil. O OC Barcelos deu-nos sempre luta. Estive lá 4 anos, sei o que o clube é – e, por um lado, também mereciam, mas isto é desporto, às vezes ganha-se, outras vezes perde-se. Uma coisa é certa: demos um bom espetáculo, jogámos um bom hóquei e o que fizemos foi jogar hóquei de verdade.”

Facundo Bridge
“Sabíamos que ia ser um jogo muito difícil. O cartão vermelho ao início talvez nos tenha favorecido um pouco, porque marcámos 2 golos que nos deram mais tranquilidade. Mas sabíamos que eles, com as suas armas, iam atrás do resultado. Acho que fomos muito inteligentes na forma como gerimos o jogo e na tentativa de marcar mais golos, porque sabíamos que não ia ser fácil. E, no fim, conseguimos ganhar, que era o que todos queríamos.”

Roc Pujadas
“A verdade é que estou muito feliz. Conquistar títulos dá-nos sempre muita felicidade e ainda mais assim, a jogar bem. Sabíamos que ia ser difícil, e foi muito difícil.”

Santiago Honório
“Estou muito feliz por fazer parte deste grupo. Somos os melhores do mundo, agora tornámo-nos os melhores de Portugal e só falta sermos os melhores da Europa. É isso que vamos em busca de conquistar.”

Gonzalo ‘Nolito’ Romero
“Muito boa noite a todos os sportinguistas. Muito feliz pela vitória. Acho que foi uma vitória muito trabalhada da nossa parte, foi uma final muito merecida. Hoje demonstrámos mais uma vez que, nos momentos de decisão, estamos cá. De 4 finais, conseguimos ganhar 3. Estamos muito felizes. Esta equipa teve sempre os pés assentes na terra. Muitas vezes não conseguimos, mas não é por falta de atitude ou de vontade de ganhar. As outras equipas também jogam. Agora, vamos descansar e festejar com a nossa família, porque este título também é muito deles, que estão sempre connosco, a puxar por nós. Quero dedicar esta vitória à minha mulher e à minha filha. Hoje, tocou-me a mim marcar, muitas vezes toca aos meus colegas. Contente, obviamente, por ter marcado os 4 golos, mas isto é muito coletivo e não individual.”

Diogo Barata
“Foi uma final difícil. A verdade é que o vermelho acabou por ajudar, porque tira um jogador crucial da equipa adversária, e sabíamos que tínhamos de aproveitar essa situação ao máximo. Mesmo assim, acho que temos todo o mérito nesta final. Não só na final, mas em todo este trajeto na Taça. Estamos muito contentes, acho que estivemos muito bem. Fomos inteligentes na 2ª parte, também. Tivemos ocasiões para dilatar o resultado, não conseguimos, mas o importante era manter a baliza a zero. O Xano [Edo] fez uma grande exibição e estamos mesmo muito contentes. O nosso treinador impõe-nos isso: primeiro a vitória, mas também defender o melhor possível para não sofrer golos.”

Henrique Magalhães
“É uma emoção muito grande, principalmente porque é o meu último ano neste Clube. Nós, jogadores, nunca sabemos quando vamos voltar a uma final e quando vamos voltar a ganhar um título. Senti muito este jogo por causa disso, porque era uma grande oportunidade de ganhar mais um título por este Clube, sabendo que é dos últimos. É uma emoção muito grande e uma descarga emocional muito grande no final do jogo. Acho que fizemos um grande jogo. É uma grande Taça de Portugal. Fizemos a dobradinha na Taça de Portugal e estamos de parabéns. Esta equipa está de parabéns este ano. Tem 3 títulos em 4 e ainda não acabou. Vamos continuar, queremos continuar. Mas, agora, há que desfrutar.”

Xano Edo
“Estava completamente KO no final do jogo, a temperatura do pavilhão não ajudava muito. Mas não estaria tão quente se não fosse esta gente toda aqui a apoiar-nos. Foi um jogo magnífico, apoio não faltou. Por isso é que também estava muito calor. Foi um jogo muito intenso e acabámos todos destroçados no final. Mas valeu a pena, completamente. Vamos festejar hoje, descansar amanhã, treinar terça e viajar. Quarta-feira já temos outro jogo para o Campeonato. É assim que está o calendário, jogos dia sim, dia não, quase. Mas, como tenho dito sempre, graças ao trabalho magnífico da equipa técnica, vamos estar outra vez impecáveis para quarta-feira trazer a vitória para Lisboa.”

Alessandro Verona
“Nestes jogos, é muito bonito estar na pista. Infelizmente, tive de ficar de fora, mas tinha muita confiança nos meus colegas. Fizeram um grande jogo, quase perfeito. Estou muito contente por fazer parte deste grupo. Mesmo estando fora da pista, sinto esta Taça como minha, porque treino todos os dias com eles e joguei muitos jogos da Taça. Quero dar os parabéns ao staff do Sporting CP e, sobretudo, a estes jogadores, que hoje fizeram um jogo impressionante.”

Rafael Bessa
“É naturalmente uma alegria imensa. Trabalhamos todos os dias para, primeiro, ter estas oportunidades e, depois de as conquistar, poder vencer estas Taças. Trabalhamos com isso em mente diariamente, porque a grandeza do Sporting CP assim nos obriga. Acima de tudo, muito feliz por revalidarmos este título. Ganhar pelo Sporting CP é indescritível.”

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