2 de Maio de 2026. Pavilhão João Rocha. A equipa de Andebol do Sporting Clube de Portugal (orientada por Ricardo Costa), após bater o FC Porto por 36-29, conquistou o Tricampeonato Nacional, somando já 9 troféus consecutivos (!!!) em competições domésticas. Uma série que começou com a Taça de Portugal em 2022/23 e que culminava, agora, com o 24.º Campeonato Nacional.
Este foi um título construído por aquela que é talvez a melhor equipa de sempre da modalidade em Portugal, embalada por 51 vitórias seguidas nas competições internas e um percurso de total hegemonia em Portugal, celebrado com pompa, circunstância, casa cheia e uma bonita festa, à qual se juntaram, entre outros leões, Nuno Dias (Futsal), João Coelho (Voleibol), Eduardo Quaresma e Daniel Bragança (Futebol).
Agora o jogo: Os verde e brancos começaram a partida na frente, com 2 golos de Francisco Costa e um de Salvador Salvador, e também com André Kristensen a mostrar cedo todas as suas credenciais (3-1). O guardião norueguês não conseguiu, contudo, impedir o golo dos dragões desde os 7 metros e, apesar de apostar no 7 para 6 no ataque, o Sporting CP permitiu uma primeira reação do FC Porto, que empatou a partida aos 8 minutos (4-4).
Natán Suárez desfez o “nó” e André Kristensen voltou a dar o “corpo às balas”, antes de Orri Þorkelsson colocar os Leões a vencer por 2 golos à passagem dos 10 minutos (6-4). Após nova resposta azul e branca, Francisco Costa voou para desfazer o empate e, depois, aos 14 minutos, para apontar o 8-6.
Aos 17 minutos, Edy Silva prolongou a vantagem de 2 golos (9-7), que Jan Gurri ampliou 1 minuto depois (10-7), levando o técnico azul e branco a interromper a partida. Já André Kristensen, inspiradíssimo, continuava empenhado em garantir que o título ficava já neste jogo no Pavilhão João Rocha e foi “compensando” a menor eficácia na frente com uma série de defesas importantes (13-10, aos 25 minutos).
Víctor Romero, como que a confirmá-lo, acertou com estrondo nos ferros da baliza de Sebastian Abrahamsson, mas, mesmo a fechar a 1ª parte, o guarda-redes leonino voltou a brilhar e lançou Orri Þorkelsson para um efusivamente celebrado 15-12, resultado com que as equipas desceram para intervalo.
No regresso para o 2º tempo, o FC Porto marcou primeiro e encurtou distâncias, mas uma “entrada de Leão” permitiu ao Sporting CP cavar uma margem de 5 golos logo aos 32 minutos (18-13).
Dos 7 metros, Francisco Costa fez depois o 19-14 e, com os dragões a falhar na cara de André Kristensen, apontou também o 20.º golo verde e branco na partida – o que levou Magnus Andersson a reagir imediatamente, com mais um time-out.
O camisola 6, imparável ainda assim, fez o 21-15 com mais um forte tiro a culminar um ataque rápido e Orri Þorkelsson também marcou na investida seguinte. O Sporting CP, a vencer por 22-16, não concedia assim ao FC Porto quaisquer espaços para tentar recuperar da desvantagem. Tanto que aos 38minutos, e apesar de uma ténue aproximação, Natán Suárez fixou o 23-18 com mais uma bomba indefensável.
Em desvantagem numérica após a expulsão de Salvador Salvador, aos 39 minutos, o Sporting CP uniu-se e, a defender de forma equilibrada, segurou muito bem o resultado (25-20). Com o FC Porto a falhar depois um livre de 7 metros, a esbarrar num muro chamado André Kristensen e as bancadas a pedir o Tri, os leões de Ricardo Costa venciam por 26-21 aos 45 minutos e o título parecia iminente.
Porém, os visitantes aproveitaram 3 minutos de algum desacerto verde e branco para devolver incerteza ao resultado (27-25), o que levou Ricardo Costa a intervir na partida. Fundamental entre os postes, André Kristensen voltou a dizer presente e, com um par de defesas, empurrou o Sporting CP para nova margem mais confortável (29-25).
Com pouco mais de 8 minutos por jogar, Francisco Costa fixou o 30-27 e, sempre que faltou inspiração na frente, garantiu-a André Kristensen atrás, com mais um par de intervenções extraordinárias a “agarrar” a vantagem. Martim Costa apareceu no momento certo para um importante 31-28 e Natán Suárez, no contragolpe, marcou o 33-28 que, aos 56 minutos, deixou o Pavilhão João Rocha em ebulição.
Mohamed Ali entrou para defender um livre de 7 metros aos 57 minutos e, depois, foi já em clima de enorme festa que o jogo entrou nos seus minutos finais. Com um ambiente de arrepiar, o Sporting CP fechou o jogo com um golo de Filipe Monteiro a selar o 36-29… Tricampeões!
A equipa: André Kristensen [GR], Mohamed Ali [GR], Edy Silva (1), Emil Berlin, Carlos Álvarez (1), Francisco Costa (11), Natán Suárez (6), Jan Gurri (1), Pedro Martínez, Salvador Salvador [C] (3), Orri Þorkelsson (5), Mamadou Gassama (2), Filipe Monteiro (1), Christian Moga, Martim Costa (4), e Víctor Romero (1).
Após a conquista, a equipa partilhou os sentimentos com a Sporting TV :
Salvador Salvador
“Sou um felizardo. Vivo exatamente aquilo que sempre quis. Vivo o Sporting CP à minha maneira. Consegui transmitir o meu sportinguismo a todos os que jogam comigo. O sucesso vem ao nosso encontro porque trabalhámos muito, suámos, sangrámos, choramos e fizemos muitos sacrifícios. Jogo nesta casa há mais de 10 anos e sempre me disseram que este clube era feito de vitórias e títulos. Felizmente, conseguimos criar um grupo em que ganhar passou a ser normal porque nós o tornámos normal. Vivo exatamente o que sonhei. Sou capitão de um grupo fantástico. Conseguimos o Tricampeonato e estou orgulhoso de mim, do grupo, do universo Sportinguista e de todos os que estão envolvidos nesta conquista (…) O nosso objetivo, neste momento, é muito maior. Estamos a lutar para ser a melhor equipa de sempre no andebol [nacional]. Vamos lutar pela final four [da EHF Champions League], temos uma ‘final’ na quarta-feira. Queremos ganhar títulos e a hegemonia que estamos a viver. Sabemos que os ciclos, um dia, acabam, mas, tal como o Natán Suárez diz, se puder acabar a carreira e dizer que tenho 51 títulos, não vou dizer que tenho 50. É esta a nossa mentalidade. Fazemos tudo para ganhar.”
Carlos Carneiro
“Sentimento de dever cumprido. O projeto começou em 2021 e tudo o que projetámos tem vindo a acontecer. Muitas pessoas trabalham nele e a Direção deu-nos todo o apoio, acreditou em nós. É um grande grupo de trabalho, uma grande equipa técnica, grandes condições dadas pelo Sporting CP e uma moldura humana fantástica. Quarta-feira temos mais um jogo muito importante e ainda mais uma Taça de Portugal para ganhar. Muito feliz por tudo o que está a acontecer.”
Kiko Costa
“É muito trabalho, muita dedicação. Não perdemos nem empatámos nenhum jogo, estamos invictos e estamos todos de parabéns. É uma época muito longa, mas só vai acabar com a cereja no topo do bolo se conseguirmos passar à final four [da EHF Champions League]. É um dos maiores sonhos de qualquer jogador ou adepto do Sporting CP. Temos de festejar como merecemos e depois, na quarta-feira, lutar por algo que tanto queremos e ambicionamos. (…) Estes adeptos fazem parte da nossa caminhada e obrigado a todos. Para o ano, cá estaremos outra vez para lutar pelo Tetra.
Orri Þorkelsson
“É fantástico e sempre melhor. Estou muito feliz e orgulhoso da equipa, que trabalhou muito. Foi especial estar hoje no Pavilhão João Rocha. O apoio constante que recebemos dos nossos adeptos significa muito e deixa-me muito orgulhoso por ser um jogador do Sporting CP. O ambiente é inacreditável.”
Ricardo Candeias
“Os 3 títulos consecutivos são todos especiais. Estamos numa corrente muito boa, com vitórias. Quero salientar a família que temos aqui. Estamos sempre à procura de mais e este é especial por isso, porque queremos mais. Acredito numa época só com vitórias a nível interno e em mais um título. Temos ainda mais um jogo na quarta-feira e vamos lá para fazer alguma coisa histórica.”
Mamadou Gassama
“Estou muito feliz. Construímos uma equipa ganhadora. As medalhas já pesam, mas quero que pesem ainda mais. Estamos contentes, mas ainda não acabou. Ainda temos mais duas competições por jogar. Temos o sonho de ir à final four [da EHF Champions League]. Jogar no Sporting CP é muito especial. O Sporting CP deu-me muito e nunca o vou esquecer na minha vida. Sou sportinguista. O que mais gosto aqui é que é uma família.”
Martim Costa
“Estamos muito felizes. Tem sido uma jornada incrível desde que cá cheguei há 5 anos. É difícil estarmos a celebrar hoje quando na quarta-feira temos um dos jogos mais importantes que me lembro e a hipótese de entrar na final four [da EHF Champions League]. Sabemos a dificuldade que vai ser. Estou contente e há que aproveitar o momento, mas claro que estou a pensar em quarta-feira. (…) Adoro este clube que me acolheu de uma maneira incrível. Dou a minha vida pelo Clube.”
Mohamed Ali
“Estou muito feliz. O Tricampeonato é incrível. Esta equipa trabalha muito e está sempre a pensar em ganhar. Queremos jogar bem por esta gente que enche o Pavilhão João Rocha. Se fosse maior, estaria cheio na mesma. Já joguei em muitos países e clubes e, tirando no meu país, nunca vi um ambiente assim. Todas as equipas que vêm jogar contra nós sabem que não é fácil jogar aqui. O ambiente é muito difícil para as outras equipas. Daqui a poucos dias temos um jogo muito importante para nós e esperamos chegar à final four [da EHF Champions League]. (…) Tenho muito boa relação com os adeptos. Quando ouço o meu nome, fico muito mais feliz do que todos imaginam.”
Christian Moga
“O título tem um sabor muito, muito bom. É especial ouvir os adeptos a cantar o meu nome nas bancadas. Jogar no Sporting CP, um grande clube, também é especial, assim como conseguir vencer. EHF Champions League? Nada é impossível.”
André Kristensen
“Sentimento fantástico. Estou muito orgulhoso por voltar a celebrar com a equipa e com os nossos adeptos. É um sentimento muito bom. (…) Se é possível sonhar em Aalborg? 100%. Já demonstrámos que somos capazes de grandes coisas. O jogo em casa foi muito equilibrado e acho que temos boas possibilidades na Dinamarca.”
Jan Gurri
“Sempre que ganhamos fico cada vez mais feliz. Temos de continuar porque temos cada vez mais fome de títulos. Agora queremos chegar à final four [da EHF Champions League]. (…) A equipa é muito amiga, somos companheiros e isso vê-se em quadra. Comunicamos bem e o resultado foi o Tricampeonato.”
Pedro Martínez
“É uma alegria muito grande, mas ao mesmo tempo é complicado porque temos uma grande luta em poucos dias. Temos de festejar, mas pensar também nesse jogo, que vai ser muito importante para a equipa. (…) Treinar com estes jogadores todos os dias melhora o meu nível. Tenho mais confiança e fico muito feliz com o trabalho que tenho feito aqui.”
Diogo Branquinho
“Há que parabenizar estes jogadores fantásticos, uma equipa de boas pessoas e bons jogadores. Passamos a maior parte da nossa vida juntos, são a segunda família. Dou, também, os parabéns aos adeptos e agradeço o apoio que nos dão. É mesmo muito importante, há muitos jogos em que as equipas que cá vêm não jogam tão bem como costumam por causa deste pavilhão, que tem um dos melhores ambientes do mundo. Depois, ao Sporting CP, que nos permite isto tudo. É óptimo saber que escrevemos o nosso nome em mais uma bonita página de história.”
Natán Suárez (em declarações aos órgãos de comunicação social)
“Tricampeonato? Muito importante, ainda mais para mim, que não estou no meu melhor momento. (…) Estive algumas semanas sem treinar e jogar, pelo que tive de me esforçar ao máximo para chegar aqui nestas condições. Agora vamos tentar ganhar na quarta-feira, na Dinamarca.”
Ricardo Costa (treinador):
“Estamos muito felizes. Não vou mentir, na nossa cabeça pesava muito o jogo de quarta-feira, porque é algo que nunca conquistámos, mas disse, para este jogo, que não jogarmos a 100% seria um grande inimigo nosso. Estou muito feliz, muito contente. Ainda não acabou, mas esta época é uma das melhores do Sporting CP, não apenas pelos títulos mas pela maturidade avassaladora com que jogámos. Ganhámos todos os jogos do Campeonato e somos vencedores inquestionáveis deste Tricampeonato”, destacou o treinador, antes de “dar os parabéns aos atletas, ao staff e aos diretores que acreditaram neste projeto (…) Obrigado por nos ajudarem todos os dias a ser melhores. Uma última palavra para os nossos adeptos. O mais importante é que saiam daqui de coração cheio, que se identifiquem connosco, e acho que o conseguimos fazer. Por isso, parabéns a todos, e parabéns aos sportinguistas, que tanto merecem (…) “São muitos os fatores que contribuem para a vitória. O primeiro foi a fantástica exibição do André Kristensen. Julgo que estivemos bem na defesa, sofremos apenas 12 golos na 1ª parte, e fomos tentando surpreender um pouco com a situação de 7 contra 6. Com o volume de jogos, é normal que haja muita carga nos atletas. Na rotação, e na medida do possível, fomos tentando surpreender o FC Porto, porque normalmente não nos vêem a atacar no 7 contra 6. Julgo que dominámos o jogo do princípio ao fim e estou muito feliz com mais uma conquista (…) Nós já sonhámos muito, acho que é hora de tornarmos os nossos sonhos realidade. É extremamente difícil, mas chegar aqui, nestas condições, e a poucos dias de acabar a época acalentar esse sonho é extraordinário. Mas não nos contentamos só com isso, queremos ir a Colónia. É o sonho de uma vida e vamos tentar não perder as nossas energias na festa, guardá-las, porque vale a pena ir à Dinamarca lutar com tudo (…) Queremos marcar a História. Não há imbatíveis, as equipas estão muitas vezes perto de nós, mas nós temos conseguido vencer. Manter a humildade suficiente para perceber que quanto mais ganhamos mais perto estamos da derrota. Essa tem de ser a nossa filosofia, o nosso pensamento. Queremos muito ganhar a Taça de Portugal”.