6 de Maio de 2026. Quarta-feira. A equipa masculina de voleibol do Sporting Clube de Portugal fechou uma temporada brilhante – com apenas uma derrota em provas nacionais ao longo de toda a temporada – e somou o Campeonato Nacional (8º) aos troféus da Supertaça e da Taça de Portugal!
Na final disputada frente ao SL Benfica, os leões de João Coelho deram mais uma evidente mostra de superioridade em todos os aspetos do jogo e fecharam a disputa pelo título com um inequívoco 9-0 na soma das 3 partidas.
Nesta noite, os verde e brancos carimbaram nova vitória pela margem máxima (3-0), esta a da consagração, e conquistaram um triplete muito celebrado pelas bancadas cheias do Pavilhão João Rocha – bancadas essas onde estiveram também, por exemplo, o ex-feutebolista Marco Aurélio – figura incontornável do futebol verde e branco entre 1994 e 1998 – e Brandon Johns Jr., Diogo Ventura e Malik Morgan, que venceram recentemente a Taça Hugo dos Santos pela equipa masculina de Basquetebol.
Num jogo onde técnico leonino apostou de início em Jan Galabov, Sergey Grankin, Kelton Tavares, Edson Valencia, Jan Pokeršnik e o líbero Nicolás Perrén, até foi o SL Benfica a começar melhor, antes de Jan Galabov, com um ataque à sua imagem, reduzir a diferença (1-2). O checo repôs entretanto a igualdade, num início algo nervoso do Sporting CP (3-3).
Com as duas equipas a pontuar consecutivamente no side-out (9-9), o equilíbrio foi sendo a nota de maior destaque, e os leões iam denotando algumas dificuldades na receção. Já a servir, Kelton Tavares conseguiu deixar o Sporting CP a vencer pela primeira vez por 2 pontos de diferença (11-9), mas os encarnados rapidamente reequilibraram as contas (11-11), antes de Jan Galabov e Edson Valencia assinarem a meias o 13-11, o que levou o técnico do Benfica a pedir o primeiro time-out da partida.
Os verde e brancos começavam a crescer e Edson Valencia e Jan Pokeršnik voltaram a criar problemas à receção das águias, sem argumentos para travar os ataques leoninos (15-12).
Na fase intermédia do set, apareceram Jonas Aguenier e Jan Pokeršnik, o esloveno de “mão quente”, a segurar a margem (18-13), antes de o inevitável Edson Valencia voar com uma cortada indefensável para o 19-14. Com novo time-out aos 20-14, o Benfica tentava reagir, mas Kelton Tavares apareceu na rede e fez mesmo um promissor 21-14.
Os encarnados, sem conseguir bloquear os ataques do Sporting CP, resistiam como podiam, mas o camisola 6 voltou a aparecer para deixar os leões a um ponto de fechar o set (24-16). Não foi à primeira, nem à segunda, mas uma falha no serviço do SL Benfica selou o 25-18 final.
Kelton Tavares continuou inspirado no arranque do 2º set, tal como Jan Galabov, muito efusivo na celebração do 3-1. Com ambos os conjuntos a pecar no serviço (5-3), quem não falhou foi Edson Valencia, com mais um ‘ás’ a assinar o 6-3 que levou Marcel Matz a pausar a partida numa fase ainda prematura do set.
O Sporting CP manteve a diferença de 3 pontos nas jogadas seguintes (8-5), muito graças aos erros não forçados das águias, que continuavam sem acertar no serviço.
Jan Pokeršnik, primeiro, e Sergey Grankin, depois, com 2 blocos consecutivos, deixaram os leões a vencer por margem mais confortável (12-5) e o técnico encarnado voltou a pausar o jogo, mas sem grande benefício, já que Edson Valencia na quadra e os sportinguistas na bancada continuavam a embalar os Leões (13-7).
O SL Benfica ainda encetou uma ténue reação (15-10), mas Jan Galabov e Edson Valencia ‘travaram-na’, o primeiro com um ataque indefensável, o segundo com um remate e outro serviço característicos (18-11).
Sem grande dificuldade, os leões foram controlando a partida e, com o 21-15 de Jonas Aguenier, pareciam cada vez mais próximos de fechar o set. Jan Pokeršnik, no bloco duplo com Kelton Tavares, deixou o Sporting CP a 3 pontos do 2-0, e Edson Valencia, imparável, fez o 23-15. Foi mesmo das mãos do venezuelano que um fulminante disparo selou o 25-17.
Sergey Grankin, a servir para abrir o 3º set, continuou a provocar dificuldades à receção encarnada, tal como Edson Valencia, a fazer uma exibição de mão cheia (2-1). O SL Benfica conseguiu, porém, saltar para a frente do marcador (2-3), mas por pouco tempo, já que repetidas falhas no serviço encarnado permitiram ao Sporting CP recuperar a liderança.
Edson Valencia, a servir direto, e Jonas Aguenier, no bloco, fizeram o 7-4 que levou o técnico benfiquista a pedir mais um time-out, mas o Sporting CP continuava muito certinho na rede e Jan Galabov, a bloquear um ataque a solo de André Aleixo, fez o 8-4.
Incansáveis, os comandados de João Coelho rapidamente chegaram ao 11-6, mérito sobretudo do bloco a 3 que, bem oleado, deixava ‘passar’ pouco ou nada, mas permitiram uma breve reação ao SL Benfica, que ainda reduziu para 3 pontos de diferença (12-9).
Edson Valencia e Kelton Tavares ‘sacudiram’ a dormência com duas potentes cortadas (14-9) e o bloco do internacional português com Jan Galabov voltou a funcionar na perfeição, deixando os leões a vencer por 6.
Aos 17-11, o técnico das águias pausou o jogo, uma última tentativa de inverter o rumo dos acontecimentos, e o SL Benfica ainda aproximou as contas (24-19), mas o destino da partida e do Campeonato estavam escritos: sem quebrar em nenhum momento do jogo, o Sporting CP firmou um inequívoco triunfo e fez a festa. Bicampeões!
A equipa: Tiago Pereira [C], Jan Galabov, Sergey Grankin, Kelton Tavares, Edson Valencia, Li Yongzhen, Gonçalo Sousa [L], Tiago Barth, Jonas Aguenier, Jan Pokeršnik, Armando Velásquez, Nicolás Perrén [L], Mads Jensen e Lourenço Martins. Treinador: João Coelho.
Após o jogo, João Coelho esteve presente na sala de conferências de imprensa do Pavilhão João Rocha, onde respondeu às perguntas da comunicação social e se mostrou naturalmente feliz e orgulhoso pela época de grande nível do seu grupo de trabalho: “A consistência ao longo da época, que nos permitiu ficar em primeiro, na última jornada, mesmo só tendo uma derrota por 3-2 no primeiro jogo. E uma consistência com um nível de prestação muito alto ao longo de toda a temporada, como se viu nesta final. Acho que nos apresentámos em crescendo, de forma segura, serena. Um coletivo sem grandes euforias, ciente de que tudo pode acontecer, e a vencer de forma inequívoca contra uma grande equipa. Se estamos a ter alguma superioridade, temos de ter muito mérito por isso. Dar os parabéns também ao SL Benfica, que tentou tudo, com todos os que tinha disponíveis, mas acho que vencemos de forma clara (…) Acho que temos esse grande mérito. Muitos destes atletas do SL Benfica que estavam do lado de lá foram pentacampeões, não é uma equipa qualquer e não ficaram fracos de repente. Ganhámos por mérito, o ano passado. Fomos resilientes, a dar a volta a um 0-2, mas também demos mostras de competitividade o suficiente ao longo da época regular, e nas competições europeias, para toda a gente achar que não estava terminado. Há uma semana negra, onde temos 4 jogos, que não corre bem e que muda o fator casa para o lado do SL Benfica, que conquistou aqui e que, no fim, conseguimos correr atrás. Mas acho que ninguém pode questionar nenhuma das 3 vitórias dessa final e isso só o faz uma grande equipa. Também há 2 anos forçámos o SL Benfica à negra, com o fator casa aí a ser decisivo, mas vencemos a Taça de Portugal nessa época. Quando se é muito consistente durante muito tempo torna-se inevitável ganhar (…) É uma equipa serena, experiente, que jogou sempre de forma adulta, que nunca abrandou em nenhum momento da época, ou destes 3 jogos, e que deu mostras de grande qualidade também na CEV Champions League. (…) É um grupo espetacular, absolutamente notável. Sabe treinar a sério, sabe divertir-se treinando a sério, gosta muito daquilo que faz. Temos um distribuidor [Sergey Grankin] com 41 anos, que não anda nisto há pouco tempo, um oposto com 38 [Edson Valencia], que se apresentaram a um grande nível toda a época… Um staff inacreditável, na capacidade de trabalho e na competência, que permite que tudo isto funcione como uma verdadeira família. Nenhum deles é descartável ou negligenciado. O Clube dá-nos todas as condições para que possamos apresentar um projeto com princípio, meio e fim. Esperamos ainda estar no princípio (…) O voleibol tem um mercado muito volátil, mas o projeto, o Clube e os adeptos conseguem convencer muitos dos principais atletas a continuar e é isso que espero que suceda. Tenho a certeza absoluta de que gostam muito de cá estar, todos, e o treinador será a última razão. Mas com toda a estrutura, a forma como funciona, o suporte e apoio que os rodeia, não tenho dúvidas nenhumas de que a esmagadora maioria, se não todos, gostaria de continuar. Planeamos as coisas com tempo, não as fazemos em cima do joelho. Tentamos ter critério e ambição, e temos de pensar na próxima época, mas antes celebrar. E quando digo pensar, ela já está em curso, como é óbvio. Mas o Sporting CP é um grande Clube que merece e que quer manter os seus melhores jogadores. É normal que haja uma ou outra mexida, mas tentaremos, à imagem das últimas épocas, mexer cada vez menos e, com menos contratações, acertar também mais (…) Estou felicíssimo, mas aqui tento falar também com algum cuidado. O desporto ensina-nos muitas coisas na vida e gerir emoções é muito importante… os jogadores sentirem que estou mais para os ajudar do que para os atrapalhar. Todos eles sabem estar de forma harmoniosa e agressiva ao mesmo tempo. Tento passar uma mensagem fiel e correta da equipa e do jogo, porque falar aqui é mais difícil do que lá em baixo (risos).”
NOTA – Texto baseado em sporting.pt