Raphael Meade – Um “tanque” com habilidade e engodo pela baliza

Raphael Joseph Meade nasceu a 22 de Novembro de 1962 em Islington – Inglaterra. Foi “formado” nas escolas no Arsenal de Londres, e chegado aos seniores começou a destacar-se pela quantidade de golos que marcava nas reservas. Com o caminho tapado na equipa principal por futebolistas já “feitos” (embora já levasse 51 presenças e 16 golos), acabou por ser contratado pelo Sporting no Verão de 1985. Estreou-se oficialmente (com o treinador Manuel José) a 2 de Novembro numa derrota nas Antas por 2-1 para o Campeonato. 8 dias depois fez o 1º golo num triunfo por 3-0 sobre o Marítimo. Numa equipa em que Manuel Fernandes e Jordão ainda eram a dupla habitual do ataque mostrou-se sempre uma alternativa credível e eficaz (26 presenças e 13 golos). Nessa época teve momentos altos, como por exemplo a sua influência decisiva na eliminação do Atlético Bilbau da Taça UEFA ou os 3 golos que marcou em Coimbra e em Alvalade com o Vitória de Guimarães. Para a temporada seguinte Jordão foi dispensado e o possante atacante britânico ganhou espaço junto a Manuel Fernandes na frente de ataque. Realizou uma época em muito bom nível (33 jogos e 22 golos) estando presente na inesquecível goleada por 7-1 ao Benfica (marcou 1 golo).  Para além disso marcou por duas vezes na goleada (que ainda é recorde entre equipas portuguesas, fora de casa, para provas da UEFA) por 9-0 em Akranes. Em Fevereiro chegou Keith Burkinshaw ao comando técnico da equipa. O treinador inglês gostava de jogar num declarado 4-4-2 e derivou Meade para a ala direita colocando Houtman ao lado de Manuel Fernandes....

Gomes – Marcante final de carreira a verde e branco

Fernando Gomes nasceu a 22 de Novembro de 1956 no Porto. Começou nos Salesianos de Pinto Bessa, mas foi no Futebol de Salão (ao serviço do Sport Clube da Lomba) que despertou o interesse do FC Porto. Esteve no clube da “invicta” desde as camadas jovens (1970/71) até 1989 (com 2 anos, entretanto, passados em Gijon). Pelos portistas ganhou tudo o que havia para ganhar a nível individual e coletivo, mas desentendimentos internos fizeram-no abandonar o “clube do seu coração”. Perante este desfecho Sousa Cintra não perdeu tempo e contratou-o. Chegou ao Sporting no Verão de 1989 estreando-se oficialmente (com o técnico Manuel José) no 1º jogo oficial da temporada, frente ao Vitória de Guimarães (3-2) a 20 de Agosto. Marcou o 1º golo a 10 de Setembro numa receção ao Nacional da Madeira (2-0). Logo nessa 1ª temporada assumiu lugar de destaque na equipa fazendo uma dupla interessante com Cadete no ataque (remeteram Paulinho Cascavel para o banco de suplentes), uma simbiose entre a experiência e a juventude. Numa época que correu muito mal em termos coletivos foi, ainda assim, o melhor marcador da equipa – mas com apenas 8 golos. No ano seguinte, com Marinho Peres, os sportinguistas fizeram uma temporada bem mais produtiva (apesar de terem terminado sem títulos) sobretudo fruto da boa campanha na Taça UEFA. Apesar de ter sido essa a sua última época como futebolista profissional, Gomes foi (a par de Leal) o jogador com mais presenças na equipa (50) apontando 29 golos. Despediu-se a 26 de Maio de 1991 com 1 golo no triunfo sobre o Gil Vicente (2-0). Totalizou duas épocas, 79 jogos...

Silvinho – O “show dos sábados à tarde” no Alvalade

Sílvio Paiva nasceu a 13 de Novembro de 1958 em Francana – Brasil. Começou por alinhar no América de São Paulo, mas foi no Internacional de Porto Alegre que se tornou um dos jogadores brasileiros em maior destaque no seu país a ponto de chegar à ”canarinha”. Em 1979 conquistou os Jogos Panamericanos e em 1984 ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (como titular na seleção brasileira). Pelo meio foi 4 vezes Campeão Gaúcho. Chegou ao Sporting (proveniente do Internacional) no Verão de 1986 num início de época muito conturbado em Alvalade pois a equipa leonina tinha um plantel curtíssimo que demorou muito tempo a compôr.  Alinhou pela 1ª vez de verde e branco na apresentação da equipa aos sócios, a 3 de Agosto (0-0 com o Arsenal). Estreou-se oficialmente (com o treinador Manuel José) a 6 de Setembro num Sporting-Salgueiros (1-0) para o Campeonato. Marcou o 1º golo a 26 de Abril de 1987 numa goleada ao Marítimo por 6-1. Nessa 1ª temporada de verde e branco jogou muitas vezes (25 presenças – a maioria das quais saído do banco) mas não conseguiu superar a concorrência de Mário Jorge (numa das suas melhores épocas) na esquerda do meio-campo. Já bem dentro da 2ª metade da época chegou ao comando técnico da equipa o inglês Keith Burkinshaw que apostava claramente na utilização de extremos “puros” e o brasileiro começou a ganhar mais espaço na equipa. Na meia-final da Taça de Portugal realizada nas Antas (triunfo por 1-0 com um golaço do também brasileiro Mário aos 120 minutos), Silvinho realizou talvez a sua mais extraordinária...

Mário Porto – Excelente atleta de velocidade que também jogou futebol

Mário Rodrigues Porto foi um desportista multifacetado que atingiu grande relevo no Atletismo sportinguista, mas que também atuou na equipa principal de futebol. Em Junho de 1929 deu pela primeira vez nas vistas ao fazer parte da equipa leonina que venceu os 3×80 metros na Taça Salazar Carreira (na qual os leões triunfaram coletivamente). No Concurso “Os Sports” venceu os 100 e os 10×200 metros. Nos Regionais (em Julho) foi o melhor nos 4×100 metros Em Junho de 1930 venceu (a par de Denis, do CIF), os 100 metros no Concurso de Atletismo “Os Sports”, bem como a prova dos 10×200 metros. A 28 de Setembro do mesmo ano esteve absolutamente brilhante nos Campeonatos Nacionais realizados no Porto, ao vencer os 100 e 200 metros da competição. Na altura era já considerado um verdadeiro “ás” do Atletismo leonino, sendo detentor dos recordes nacionais de 100 e 4×400 metros. Era recordista do clube nos 100, 200, 4×100 e 4×200 metros. Em Outubro, venceu os 100 metros no 1º Coimbra-Lisboa em Atletismo. No mesmo mês, a 26, estreou-se oficialmente como futebolista num jogo da 2ª jornada do Regional (vitória por 2-1 no terreno do Casa Pia). Embora tenha jogado pouco, pôde festejar no final a conquista do 7º Campeonato Regional para os leões. Neste mesmo ano de 1930 ganhou responsabilidades no clube ao desempenhar o cargo de secretário da secção de Atletismo. No ano seguinte voltou a atuar na equipa principal (última época), sempre como extremo-direito, constituindo uma alternativa, pouco utilizada, ao fantástico Adolfo Mourão. Nunca chegou a marcar nenhum golo a nível oficial, mas a 10 de Junho de 1931...

Juskowiak – O polaco dos golos bonitos

Andrzej Juskowiak nasceu a 3 de Novembro de 1970 em Gostyn – Polónia. Começou muito cedo a brilhar no Lech Poznan (depois de ter feito a formação no Kania – um clube da sua região), onde se sagrou campeão por duas vezes e melhor marcador em 1990. Foi contratado pelo presidente Sousa Cintra no final da temporada 1991/92. Vestiu pela 1ª vez a camisola verde e branca num amigável realizado em Paris a 23 de Maio de 1992 numa denominada “Taça Lucídio Ribeiro” na qual o Sporting venceu o Aston Villa por 3-0 com 2 golos do polaco. Depois esteve nos Jogos Olímpicos de Barcelona onde se destacou ao serviço da sua Seleção (sagrou-se melhor marcador da prova e conquistou a medalha de prata) deixando “água na boca” aos sportinguistas, plenos de expetativas em relação às suas capacidades. Apesar de boas propostas para vender o seu passe (após os Jogos Olímpicos), o presidente leonino segurou-o no clube esperando ter encontrado um avançado na linha do melhor que o clube já tivera. Estreou-se oficialmente (com o treinador Bobby Robson) a 22 de Agosto de 1992 na 1ª jornada do Campeonato, em Alvalade, frente ao FC Tirsense (0-0). Marcou pela 1ª vez a 5 de Setembro numa receção ao FC Famalicão (4-3). Nessa 1ª temporada alternou com Yordanov como parceiro de ataque do titularíssimo Jorge Cadete. Realizou 29 jogos e marcou 10 golos (algo aquém do esperado). No ano seguinte Robson iniciou a época mas rapidamente foi substituído por Carlos Queiroz. Juskowiak ganhou alguma vantagem em relação a Yordanov mas voltou a não convencer (28 jogos e 8 golos). Na época...

João Cruz

João Pedro Cruz nasceu a 31 de Outubro de 1915 em Évora, mas foi no Vitória de Setúbal que começou a fazer-se notar. Apenas com 1m65cm, mas com 2 pés magníficos, um arranque portentoso e um domínio de bola notável, chegou ao Sporting no Verão de 1936 e logo se firmou na principal equipa do clube. Estreou-se oficialmente a 11 de Outubro de 1936 (com o técnico Wilhelm Possak) num Sporting-Carcavelinhos (2-2) para o Campeonato Regional de Lisboa, marcando o 1º golo uma semana depois numa vitória em casa do Benfica por 5-0. Logo nessa 1ª temporada “pegou de estaca” na equipa, a ponto de ser um dos mais utilizados do conjunto (a par de Mourão e Pireza). Em 1937/38 foi Campeão de Portugal pela 1ª vez (final ganha ao Benfica por 3-1) numa época em que esteve em plano altíssimo (2º melhor marcador da equipa com 23 golos, atrás apenas do “fenómeno” Peyroteo). Em 1940/41, a melhor temporada de sempre do Futebol leonino, marcou 3 golos na final da Taça de Portugal ganha ao Belenenses por 4-1. Na temporada seguinte voltou a destacar-se pela capacidade de concretização ao marcar 26 golos em 34 jogos (mais uma vez só Peyroteo marcou mais). No jogo decisivo do Campeonato Regional fez 2 golos no triunfo por 5-0 no terreno do Benfica. No ano seguinte (1942/43) marcou 25 golos em 30 jogos, confirmando a sua enorme apetência goleadora, apesar de ser um extremo. No Verão de 1943 chegou ao Sporting “um tal de” Albano com enorme potencial. O treinador Jozef Szabo optou então por fazer derivar Cruz para interior-direito. Manteve-se em boa...

João Francisco

João Francisco Maia nasceu a 24 de Outubro de 1899 em Lisboa. Estreou-se na 1ª equipa leonina muito jovem (como avançado-centro), a 19 de Abril de 1918, com um triunfo por 3-1 sobre o Benfica. Na temporada seguinte derivou para interior-esquerdo (ainda sem ser 1ª opção) e ajudou a conquistar o Regional (o seu 1º título). Jogador polivalente, foi também várias vezes utilizado como médio-direito, e nessa condição voltou a ser Campeão de Lisboa, em 1921/22. A 24 de Junho de 1923 os leões chegaram ao título de Campeões de Portugal (o 1º), e João Francisco, de novo como avançado-centro, foi um dos protagonistas da equipa. Entretanto praticava também Atletismo, modalidade pela qual atingiu o ponto mais alto em 1925, ao sagrar-se Campeão Nacional dos 4X400 metros, ao lado de Afonso Salcedo, Ápio de Almeida e Salazar Carreira. Sempre com um pequeno lenço a prender os calções (o cinto da sua superstição), ficou no clube até 1928/29. Jogou pela última vez a 18 de Novembro de 1928 numa derrota por 2-0 frente ao Bom Sucesso. Marcara o último golo a 13 de Maio desse mesmo ano, num triunfo por 5-0 sobre o Barreirense. Esteve um total de 12 temporadas na equipa principal do Sporting, pela qual fez cerca de 75 jogos. Ganhou 1 Campeonato de Portugal e 5 Campeonatos Regionais de Lisboa. Em 1923/24 foi o melhor marcador da equipa com 7 golos, repetindo o feito 2 anos depois (ex-aequo com Emílio Ramos e José Manuel Martins), aí com 6 remates certeiros. Na Seleção Nacional também pontificou. A 19 Dezembro de 1921 esteve presente no 1º jogo da “equipa das quinas”, frente...

Deivid – Credenciado no seu país, faltou-lhe tempo no Alvalade…

Deivid de Sousa nasceu a 22 de Outubro de 1979 em Nova Iguaçu – Brasil. Depois de se iniciar no clube local, encetou um percurso ascendente como futebolista que passou pelo Santos, Corinthians, Cruzeiro (onde foi campeão nacional), Bordeús e de novo Santos (onde foi de novo campeão brasileiro, ao lado de Robinho). Chegou ao Sporting no defeso de 2005 e suscitou grandes expetativas entre os sportinguistas pois acreditava-se que poderia fazer uma dupla fantástica com Liedson. Estreou-se oficialmente (com o treinador José Peseiro) a 10 de Agosto numa receção à Udinese (0-1) para a pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. Marcou pela 1ª vez logo na jornada inaugural do Campeonato num triunfo por 2-1 sobre o Belenenses. Apesar de parecer um pouco pesado e lento, os seus atributos técnicos eram inegáveis, e acabou por ser muitas vezes titular, marcando presença em 33 jogos (8 golos marcados). Após a época de adaptação esperava-se muito dele no ano seguinte, mas depois de ter marcado 2 golos num triunfo por 3-2 sobre o Boavista no 1º jogo da época, caiu nos sportinguistas como um “amargo de boca” a notícia de que estava vendido ao Fenerbahçe da Turquia por cerca de 4,5 milhões de euros… Ficou-se por aí o seu trajeto de verde e branco, no qual totalizou 34 jogos oficiais e 10 golos. De verde e branco provou ser um futebolista com bom nível técnico, um atacante de categoria, embora lhe faltasse maior engodo pelas balizas contrárias – e a prova disso é a sua relativamente baixa média de golos marcados para um ponta-de-lança de equipa grande. Na Turquia (onde...

Saucedo – “El tigre” indicado por Yazalde

Sérgio António Saucedo nasceu a 20 de Outubro de 1959 em Buenos Aires – Argentina. Começou bem cedo no Defensores de Zarate, mas foi no Deportivo Quito – Equador, que começou verdadeiramente a dar nas vistas marcando com muita regularidade. Em Janeiro de 1985 o Sporting marcava muitos golos e não estava nada mal servido de atacantes (Manuel Fernandes, Jordão – se bem que com alguns problemas físicos, Eldon – que tinha acabado de chegar de Guimarães e teve uma razoável época de estreia, Forbes e Fernando Cruz – duas promessas). Ainda assim os responsáveis leoninos acharam que faltava mais alguém e contrataram Saucedo, indicado pela antiga glória do clube Hector Yazalde. Jogou oficialmente pela 1ª vez a 13 desse mês (com o treinador John Toschak) num triunfo em Guimarães por 1-0 para a 16ª jornada do Campeonato Nacional. Uma semana depois estreou-se a marcar (empate em Alvalade – 4-4 com a Académica) e a verdade é que foi marcando com alguma regularidade nos primeiros meses de verde e branco. Terminou a época com 6 golos em 11 jogos e esperava-se a confirmação do seu potencial na temporada seguinte. Agora com Manuel José ao leme, o Sporting contratou mais um atacante (ao Arsenal) e com caraterísticas um pouco semelhantes ao argentino – Raphael Meade, que depressa se impôs. Ainda assim Saucedo jogou muito – 26 presenças, mas apontou apenas 4 golos não respondendo com a eficácia que dele se esperava. O último golo fê-lo a 24 de Novembro de 1985, numa derrota em Guimarães por 4-3 – um jogo que ficou célebre pela infeliz exibição do guarda-redes Katzirz… No...

Emílio Ramos – O “rabiga”

Emílio Ramos começou muito cedo a jogar futebol, no infantis do Sporting, fazendo um percurso que o levaria à equipa principal. Tinha a alcunha de “Rabiga” devido ao seu estilo buliçoso pela esquerda do ataque, onde surgiu nos seniores a partir da temporada 1920/21. Logo nessa 1ª época assumiu o lugar de extremo-esquerdo. A partir da temporada seguinte o conceituado técnico Augusto Sabbo “puxou-o” mais para dentro (interior), e desde logo assumiu grande protagonismo na equipa que chegou à final do 1º Campeonato de Portugal (marcou em 2 dos 3 jogos da decisão perdida para o FC Porto) e conquistou o seu 3º Regional (também marcou no jogo decisivo – 2-0 ao Belenenses). Na época seguinte (1922/23) manteve-se como titularíssimo na equipa, fazendo parte do conjunto histórico que pela 1ª vez conquistou o título nacional, e que também voltou a triunfar no Regional.  A 29 de Março de 1923 marcou um dos golos com que o Sporting derrotou por 3-1 os afamados húngaros do III Ker Besirk T.V.E. A 15 de Maio do mesmo ano também marcou num empate que deu brado perante os fortíssimos checos do Nuselsky (3-3). Em 23/24 foi totalista na equipa. O coletivo não conquistou nenhum troféu oficial, mas venceu algumas provas particulares (que na altura tinham grande importância). Emílio Ramos marcou 3 golos ao Benfica na conquista do Troféu da Federação Portuguesa de Tiro, a 1 de Dezembro de 1923 (5-2 foi o resultado). Na temporada seguinte voltou a ser totalista, de novo como extremo-esquerdo e com mais um Regional conquistado. 1925/26 foi a sua última temporada como leão. Com o surgimento de José...
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