Nogueira – Todas as virtudes dum grande centrocampista

António Manuel da Costa Nogueira nasceu a 10 de Julho de 1951 em Lisboa. Começou por dar nas vistas no Atlético CP onde permaneceu vários anos (inclusivamente na 1ª divisão). Depois esteve no Braga e no Boavista, mas foi em 2 anos no Belenenses que atingiu um patamar muito elevado chegando à Seleção Nacional – que representou por uma vez (marcou no triunfo por 2-0 sobre a Espanha numa altura em que já se sabia que iria para o Sporting). Chegou a Alvalade aos 30 anos, no Verão de 1981, mas ainda a tempo de se destacar no clube. Estreou-se oficialmente (com Malcolm Allison) a 30 de Agosto (e logo com 1 golo) num triunfo em Viseu por 2-0 para a 2ª jornada do Campeonato Nacional. Foi uma das peças fundamentais na equipa de Allison que conquistou a “dobradinha” ao realizar 34 jogos oficiais (2 golos), e formar com Virgílio e Ademar um meio campo de combate que suportava o génio dos 3 homens mais adiantados (Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão). Na temporada seguinte (apesar da chegada dos reforços Kostov e Festas – para o mesmo setor em que alinhava) voltou a ser muito utilizado (32 jogos), mas acabou por sair no final duma campanha em que os leões triunfaram apenas na Supertaça (em início de época). A 5 de Junho de 1983 jogou pela última vez com o “leão ao peito” num Sporting-Vitória de Guimarães (1-0) a contar para a última jornada do Campeonato. Nas duas épocas em que equipou de verde e branco realizou 66 jogos oficiais e marcou 2 golos. Ganhou 1 Campeonato Nacional, uma Taça...

Tomé – Um “sadino” com sucesso no Alvalade

Fernando Massano Tomé nasceu a 10 de Julho de 1947 no Porto. Ainda muito jovem foi para Setúbal, e no clube local se iniciou na prática do futebol. Com apenas 18 anos chegou à equipa principal do Vitória onde ganhou uma Taça de Portugal (1968) e chegou por duas vezes (as suas únicas internacionalizações) à Seleção Nacional. Chegou ao Sporting no Verão de 1970 (indicado pelo antigo avançado leonino Figueiredo) por 2.000 contos. Estreou-se oficialmente a 13 de Setembro de 1970 (com o técnico Fernando Vaz) no Barreiro (triunfo por 3-0) em jogo a contar para a 1ª jornada do Campeonato Nacional. A 30 do mesmo mês marcou pela 1ª vez, em Malta frente ao Floriana, para a Taça dos Campeões Europeus (4-0). Logo nessa 1ª temporada “pegou de estaca” no meio-campo da turma leonina realizando 35 jogos e marcando 10 golos (a sua temporada mais produtiva). No último jogo da época contribuiu para o triunfo na Taça de Portugal com 4-1 ao Benfica. Nas temporadas que se seguiram voltou a ser um elemento de grande importância na manobra da equipa sportinguista. Em 1972/73 conquistou a Taça de Portugal, conseguindo o seu único título de campeão nacional no ano seguinte (a que juntou mais uma Taça), curiosamente, numa temporada em que jogou com menor frequência (16 partidas). Depois de 5 anos a jogar no meio-campo foi, em 1975/76 (a sua última época no Sporting), mais utilizado como defesa direito – uma inovação do técnico Juca. Alinhou pela última vez oficialmente a 30 de Maio de 1976, na última jornada do Campeonato (derrota no Bessa por 3-1). O último golo...

Marinho – Competitividade e polivalência no meio-campo

Mário Abreu Alves da Silva (conhecido nos meios futebolísticos por Marinho) nasceu a 8 de Julho de 1954 em Macau, onde viveu até aos 10 anos. Nessa altura a sua família (o pai era militar) veio para Portugal, fixando-se em Braga. Começou por jogar futebol no clube da “cidade dos Arcebispos” e chegou apenas com 18 anos à equipa principal. Logo começou a destacar-se, chegando inclusivamente à Seleção Nacional de Esperanças. No Verão de 1978 foi contratado por João Rocha para reforçar o meio campo leonino. Estreou-se oficialmente (com o treinador Pavic) a 26 de Agosto na 1ª jornada do Campeonato Nacional (derrota no Bessa por 2-0). Logo nessa 1ª temporada foi habitualmente titular jogando ao lado de Ademar e Ailton, e no ano seguinte pôde festejar o seu 1º Campeonato Nacional de “leão ao peito” numa equipa comandada por Fernando Mendes e onde jogou com bastante regularidade (20 presenças na competição principal). Em 1980/81 jogou muito menos, mas, curiosamente, foi nessa época que marcou o seu único golo oficial pelo Sporting, a 5 de Abril de 1981, num triunfo na Póvoa de Varzim por 3-1. 1981/82 foi uma grande temporada para o Sporting (com triunfos no Campeonato e Taça de Portugal). Marinho voltou a ser protagonista (Allison apreciava muito a sua polivalência e competitividade), porque embora não fosse titular indiscutível, alinhou em 19 jogos. 1982/83 foi o seu último ano como futebolista do Sporting. Numa temporada em que António Oliveira (como jogador-treinador) fez quase toda a época como técnico da equipa (Marinho Mateus comandou apenas 5 jogos e Venglos 4), Marinho tomou parte apenas em 14 jogos oficiais....

Vadinho – Um “minino da mamãe” com muita classe

Osvaldo Chaves Cordeiro (Vadinho) nasceu a 8 de Julho de 1933 no Brasil. Cedo lhe foi detetado grande talento para o futebol, e no Vasco da Gama ganhou fama. Chegou ao Sporting no Verão de 1957. Estreou-se oficialmente (com o treinador Enrique Fernández) a 15 de Setembro numa vitória em Coimbra por 1-0 (para a 2ª jornada do Campeonato). Marcou o 1º golo duas semanas depois num empate 3-3 no Restelo. Nessa temporada os leões chegaram ao título nacional, e Vadinho foi o avançado-centro “de serviço”, com 29 jogos oficiais e 17 golos marcados. No final do jogo do título, em Alvalade (3-0 ao Caldas) afirmou emocionado aos microfones da rádio: “Dedico esta vitória à minha mamãe…” No instante seguinte desmaiou!… Terminada a sua 1ª temporada (de grande sucesso) no Sporting, viveu uma verdadeira “telenovela” de defeso no Brasil. O que se passou foi que a mãe não o queria deixar regressar a Portugal, o que só conseguiu fazer a 19 de Dezembro! Naturalmente a sua época ficou comprometida, acabando por participar apenas em 10 jogos (6 golos). Para 1959/60 chegou a Alvalade, também do Brasil, um magnífico goleador (Fernando Puglia), pelo que Vadinho teve grandes dificuldades para jogar. Ainda assim manteve uma razoável eficácia com 9 golos em 17 aparições. Naquela que foi, provavelmente, a sua tarde de maior esplendor como “leão”, a 24 de Janeiro de 1960, marcou 3 golos ao Porto num triunfo magnífico por 6-1 em Alvalade. No ano seguinte fez apenas 1 jogo (a 9 de Abril de 1961), e logo frente ao Benfica, o seu último de verde e branco (empate 1-1). Marcara...

Figueiredo

Ernesto Figueiredo nasceu a 6 de Julho de 1937 em Santa Cita – Tomar. Começou a sua atividade desportiva por jogar a guarda-redes num clube chamado Matrena, pois queria ser igual ao seu ídolo – Azevedo. Certo dia, após uma excelente defesa, caiu mal e desmaiou, pelo que decidiu que nunca mais na vida jogaria naquele posto. Já como avançado passou pelo União de Tomar e Cernache, chegando ao Sporting no Verão de 1960. Estreou-se na festa de homenagem a Juca, a 8 de Setembro, marcando 1 golo na vitória por 5-0 sobre a CUF. Oficialmente debutou na 1ª jornada do Campeonato Nacional. O Sporting derrotou o Lusitano de Évora por 4-2 e Figueiredo apontou 2 golos. Conquistou rapidamente o seu espaço em Alvalade como avançado tremendamente batalhador, que não sendo um portento em termos de técnica o compensava com um oportunismo e sagacidade assinaláveis. Outra das suas caraterísticas era a tendência para brilhar nos jogos decisivos, sobretudo frente ao Benfica, a quem causou inúmeros dissabores. As suas qualidades e estilo levaram os seus admiradores a darem-lhe a alcunha de “Altafini de Cernache”, comparando-o com o magnífico goleador do AC Milan, que marcara 2 golos ao Benfica na final da Taça dos Campeões Europeus um mês antes de Figueiredo repetir a proeza nas meias-finais da Taça de Portugal em 1963. Esteve 8 épocas no Sporting conquistando uma Taça das Taças (onde foi figura de proa), 2 Campeonatos Nacionais e uma Taça de Portugal. Marcou 151 golos (10º melhor de sempre) em 233 jogos oficiais. Foi o máximo goleador do Campeonato de 1965/66 ex-aequo com Eusébio, totalizando 25 golos. Foi ainda...

De Wilde – Um dos melhores belgas de sempre, na baliza do Sporting

Filip Alfons Annie de Wilde nasceu a 5 de Julho de 1964 em Zelle – Bélgica. Com apenas 9 anos começou a jogar Futebol no clube da sua terra, o Eendracht Zele. Em 1980 passou a alinhar num clube de maior projeção, o Beveren, mas foi no Anderlecht, a partir de 1987 que atingiu um grande estatuto no seu país. Chegou ao Sporting no Verão de 1996 (proveniente do Anderlecht), constituindo uma aposta do treinador leonino, o seu compatriota Robert Waseige, que afirmou que os leões ficavam assim servidos com um super guarda-redes – que na altura era também o titular da Seleção da Bélgica. Estreou-se oficialmente a 23 de Agosto, na Maia, frente ao Sporting de Espinho (triunfo por 3-1) na 1ª jornada do Campeonato Nacional. Nessa 1ª temporada em Alvalade relegou Costinha e Tiago para um plano completamente secundário, alinhando em 38 dos 43 jogos da equipa. A temporada seguinte foi tumultuosa para os leões, que conheceram 4 treinadores! Os maus resultados sucederam-se e, tendo começado a época como titular, De Wilde alinhou pela última vez a 4 de Fevereiro de 1998 numa derrota em Braga para a Taça de Portugal por 3-1. A partir daí o treinador Carlos Manuel apostou em Tiago, pelo que De Wilde acabou por regressar, em Março, ao Anderlecht, com vista a jogar e marcar presença no Mundial que se aproximava. Fez um total de 67 jogos oficiais pelos leões, sofrendo 49 golos. Estes números fazem dele o 6º guardião mais difícil de bater (ou seja, com média mais baixa de golos sofridos) da História do Futebol leonino.  Foi um guarda-redes que...

Gentil Cardoso – O “técnico filósofo”

Gentil Alves Cardoso nasceu a 5 de Julho de 1906 no Recife – Brasil. Nunca foi jogador de futebol e antes de encetar a carreira de treinador (muito novo, com apenas 25 anos) foi engraxador, empregado de mesa, padeiro e militar. Como treinador passou por inúmeros clubes brasileiros e ganhou a fama de “técnico filósofo” pelas suas muitas “tiradas curiosas”. Foi ele que inventou, por exemplo, a expressão “zebra” para surpresa. Dizia ainda que os craques da bola “tratam a bola por tu e não por excelência” ou que “a bola é feita para rolar rasteira, quanto mais rasteira melhor”. Nos treinos usava megafone para dirigir os jogadores. Trabalhou nos melhores clubes do Brasil (com diversos títulos no currículo), na própria Seleção brasileira e no Nacional do Equador, antes de chegar a Portugal. Em Junho de 1963 começou a falar-se do seu nome para treinador do Sporting. A 8 de Julho do mês seguinte chegou a Lisboa afirmando: “Sou o técnico mais antigo do Mundo. Quando partir quero deixar escola”. Para o começo dos trabalhos em Alvalade trouxe Jair Raposo para adjunto e supreendeu logo num Torneio de pré-temporada, em Bilbau, ao acusar publicamente o seu pupilo Morais de desinteresse e falta de brio. Com o triunfo claro na Taça de Honra da AFL (frente ao Benfica) as coisas pareceram encarreirar, impressão que mais se adensou com a eliminação dos italianos da Atalanta na 1ª eliminatória da Taça das Taças. No entanto, apesar da boa campanha europeia, os leões cediam de forma tremenda no Campeonato. Numa entrevista concedida ao jornal “A Bola”, ainda em Novembro, Cardoso pediu para que...

Fernando Riera – O treinador chileno mais bem sucedido de sempre

Fernando Riera Bauza nasceu a 27 de Junho de 1920 em Santiago do Chile. Futebolista (avançado) de grande destaque no seu país (sobretudo na Universidad Católica), jogou na Copa América em 1942, 1947 e 1949 e no Mundial de 1950. Construiu uma carreira que fez dele um dos grandes jogadores sul-americanos dos anos 40. Como treinador continuou a trilhar os caminhos do sucesso. De 1954 a 1957 esteve no Belenenses e em 1962 levou o seu país ao 3º lugar no Mundial de 1962. Para além de outros trabalhos meritórios, foi campeão nacional pelo Benfica em 1963, 1967 e 1968. Esteve também na Argentina, em Espanha, no FC Porto (1972/73) e em França antes de chegar ao Sporting, em Dezembro de 1974 (numa altura em que a equipa andava pelo 4º lugar), substituindo Osvaldo Silva (que se manteve na equipa técnica) e sendo coadjuvado por Juca. Na altura realçou que: “Entrar a meio do baile tem os seus inconvenientes”. Estreou-se a 15 de Dezembro com um empate a zero em Marvila frente ao Oriental. Pouco a pouco a equipa melhorou, mas o chileno acabou por não conseguir mais que terminar o Campeonato em 3º e chegar à meia-final da Taça de Portugal, onde foi eliminado pelo Boavista (clube que tinha afastado os leões do título com outra derrota no Bessa…). O seu percurso em Alvalade, sem ser brilhante, acabou por ser positivo, mas insuficiente para convencer o presidente João Rocha. Entretanto lançou jovens como Garcez, Palhares ou Inácio.. No final da temporada acabou por sair, sendo promovido Juca a técnico principal para a temporada seguinte. Depois prosseguiu uma longuíssima...

Cardinal – “Tripeiro” com raça de Leão!

Fernando Alberto Santos Cardinal nasceu a 26 de junho de 1985 no Porto. Pivô, chegou ao Sporting para 2009/10 (proveniente do Freixieiro). Depois de 2 temporadas brilhantes e com muitos golos foi para o CSKA Moscovo, passando depois por Rio Ave, Inter Movistar e El Pozo Murcia, e regressando em 2017/18 até ao final da carreira (2021/22). Construiu uma carreira brilhante e o facto de ser associado ao FC Porto e mesmo à sua classe mais mediática, os “Super Dragões”, não prejudicou o seu desempenho nem o afeto dos sportinguistas por ele. Apesar de ter tido 2 gravíssimas lesões enquanto nosso jogador, conseguiu recuperar em pleno e voltar a ser o mesmo de sempre. Na sua última temporada ganhou tudo a nível nacional e fechou mesmo com “chave de ouro” ao marcar um dos golos do último jogo da temporada, e que decidiu o título de Campeão Nacional frente ao Benfica: “Saio com o sentimento de dever cumprido. Ganhámos todas as competições frente ao eterno rival (…) Foi uma época fantástica, mas é difícil encontrar adjetivos para a classificar (…) Agora é desfrutar ao máximo junto da família. Que horas são? Daqui a uns 40 minutos comemoro mais um aniversário. E não podia ter melhor prenda”. Fez 195 jogos pelo Sporting, tendo apontado 228 golos. Ganhou 2 Ligas dos Campeões, 5 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal, 2 Taças de Liga e 5 Supertaças! Em 2010 foi distinguido com o Prémio Stromp na categoria Especial Europeu. 123 vezes internacional português (97...

Keith Burkinshaw – O homem que despediu Manuel Fernandes

Harry Keith Burkinshaw nasceu a 23 de Junho de 1935 em Higham, uma localidade próxima de Barnsley na Inglaterra. Como futebolista atuava na defesa, nunca chegando a atingir grande relevo – embora tenha alinhado no Liverpool. A sua carreira de treinador começou no Denaby United, passando depois pelo Scunthorpe e Tottenham. Nos “Spurs” realizou um trabalho que deu brado, conquistando a FA Cup em 1981 e 1982 e a Taça UEFA em 1984 com jogadores como Hoddle, Ardiles ou Crooks. Passou depois pela seleção do Bahrain antes de rumar a Alvalade em Fevereiro de 1987, substituindo o “interino” Marinho Mateus (que por sua vez havia tomado o lugar de Manuel José). Estreou-se no banco leonino (tendo como adjunto Fernando Mendes) a 22 de Fevereiro com um empate (1-1) em Portimão. Depois vieram uma série de triunfos que aumentaram as expetativas (que já de si eram altas) quanto às suas qualidades de treinador ofensivo que apostava num futebol flanqueado. No Campeonato desse ano terminou num modesto 4º lugar (posição onde a equipa se encontrava quando chegou), mas conseguiu qualificar os leões para a final da Taça de Portugal depois de eliminar o Porto (que duas semanas depois se sagraria campeão europeu) nas Antas – aliás também já derrotara os nortenhos para o Campeonato. No Jamor ficou um sabor amargo com a derrota por 2-1 perante o Benfica. Foi-lhe então concedida a hipótese de começar a época seguinte, mas no defeso tomou uma decisão tremendamente impopular entre os sportinguistas (e que se viria a provar, absolutamente errada) ao dispensar Manuel Fernandes – isto perante a complacência da direção liderada por José Amado...
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