Litos – Um grande talento que poderia ter chegado mais longe

Luís Filipe Vieira Carvalha nasceu a 6 de Janeiro de 1967 em S. João da Madeira e foi na Sanjoanense que começou a jogar futebol. Estava ainda no escalão de iniciados quando foi “descoberto” pelo Sporting (o clube “de coração” desde muito novo). O seu talento logo deu nas vistas e nas camadas jovens foi sempre internacional. No defeso de 1984 o Sporting perdeu Futre para o FC Porto, mas em Alvalade havia a crença de que Litos (também aliciado pelos portistas mas que acabou por permanecer de verde e branco) não ficaria nada a dever em termos de potencial ao ex-companheiro. John Toshack, o técnico contratado para orientar o futebol do Sporting na altura, apostou forte no jovem centrocampista e promoveu a sua estreia logo no 1º jogo oficial da época, o Sporting-Vitória de Guimarães realizado a 26 de Agosto de 1984 (3-0). A 3 de Outubro Litos estreou-se a marcar oficialmente ajudando a resolver uma eliminatória da Taça UEFA que estava muito complicada em Auxerre (2-2 ap). Nessa 1ª temporada realizou 37 jogos oficiais apontando 8 golos. Dono de uma capacidade técnica muito acima da média, dizia-se que o seu potencial não tinha limites e havia quem lhe chamasse o “Platini português”. Entretanto John Toshack foi despedido e a partir da temporada seguinte, com Manuel José (e Keith Burkinshaw), Litos foi perdendo protagonismo na equipa embora continuasse a jogar com alguma assiduidade. O mesmo foi acontecendo com António Morais, Pedro Rocha e Raúl Águas. Com o tempo foi sendo utilizado quase sempre como médio ala direito, posição que desempenhava com eficácia mas sem brilhantismos. Era na posição 10 que conseguia...

Giuseppe Materazzi – Com responsabilidades na festa de 2000

Giuseppe Materazzi nasceu a 5 de Janeiro de 1946 em Arborea, província de Oristano, na Sardenha – Itália. Nunca foi um grande jogador de futebol mas ficou conhecido como um dos símbolos do Lecce, clube que representou 7 anos. Passou ainda pelo Tempio, Reggina e Bari. Começou a carreira de treinador em 1979 no Carretese. O seu trabalho mais vistoso antes de chegar a Alvalade foi ao serviço do Pisa, em 1987/88, onde conseguiu um 13º lugar da Série A. Depois esteve na Lazio, Messina, Bari, Padova, Brescia e Piacenza. Em Junho de 1999 chegou ao comando técnico do Sporting, contratado por José Roquette. Na pré-temporada as cargas de trabalho foram enormes e em termos de resultados as coisas não correram pelo melhor… Todos os sportinguistas esperavam que com o início da época oficial a equipa estabilizasse, mas a estreia, a 20 de Agosto de 1999, não trouxe mais que um empate a duas bolas nos Açores frente ao Santa Clara. A seguir vieram 2 triunfos, mas a escandalosa derrota na Noruega por 3-0 frente ao Viking Stavanger criou um mau estar enorme entre os adeptos. Os 2 empates que se seguiram precipitaram definitivamente a saída do italiano que sempre foi homem para enfrentar os adeptos contestatários olhos nos olhos à porta do Estádio Alvalade. Assim, após 6 jogos oficiais, Giuseppe Materazzi foi demitido do comando técnico da equipa que viria a ser campeã nacional, 18 anos depois, sob o comando de Augusto Inácio. Da sua passagem pelo Sporting ficou a sensação de que a equipa acabou por colher os frutos da sua exigente pré-temporada. Há mesmo muitos que são da...

Vujacic – Um razoável central transformado num bom lateral

Budimir Vujacic nasceu a 4 de Janeiro de 1966 na cidade de Bar – Montenegro. Entre finais dos anos 80 e início dos 90 do século passado tornou-se uma referência da defesa do Partizan de Belgrado, onde era capitão de equipa. No início da temporada 1993/94 foi contratado pelo presidente Sousa Cintra para “patrão da defesa” sportinguista. Sem ter sido uma escolha do técnico Bobby Robson, nunca chegou a ser por ele utilizado, pelo que se estreou apenas a 5 de Fevereiro de 1994 frente ao Salgueiros (1-0) já com Carlos Queiroz no comando técnico da equipa. O seu 1º golo surgiu uma semana depois na receção ao Vitória de Setúbal (2-1). Nesse final de temporada jogou assiduamente, sempre como defesa-central. No último jogo da época ficou na memória a correria com que se dirigiu a Bobby Robson (então técnico do FC Porto) após ter marcado um golo aos portistas na finalíssima da Taça de Portugal. Na época seguinte, com a chegada de Naybet e Marco Aurélio ao clube, Carlos Queiroz optou por fazer derivar Vujacic para o lado esquerdo da defesa e em boa hora isso aconteceu, pois aquele que era um razoável central tornou-se num bom lateral. Muito regular, com razoável velocidade e ótimo jogo de cabeça, Vujacic mostrou-se sempre duma utilidade enorme fazendo 35 jogos (3 golos) e conquistando os adeptos. Em 1995/96, uma época muito conturbada, o montenegrino voltou a ser “dono” da lateral esquerda, sempre com atuações pendulares. Sem que nada o fizesse prever a sua última temporada no clube (96/97) foi fraquíssima, com lesões em cima de lesões e apenas uma presença. Alinhou...

De Franceschi – Extremo à moda antiga

Ivone De Franceschi nasceu a 1 de Janeiro de 1974 em Padova – Itália. Começou no clube da sua terra onde permaneceu vários anos. Chegou em 1998/99 ao Veneza, na Série A, onde deu boas indicações, suficientes para despertar o interesse de Giuseppe Materazzi, novo técnico do Sporting para 99/2000. Curiosamente, não foi com o seu compatriota que se estreou. Só com a chegada de Inácio ao comando técnico o extremo-esquerdo italiano se apresentou pela 1ª vez numa receção ao Boavista a 4 de Outubro de 1999 (2-0). Duas semanas depois marcou num Sporting-Sp. Braga (2-0). Acabou por ser uma peça importante na equipa sportinguista que conquistou o histórico título nacional desse ano, num conjunto onde Augusto Inácio privilegiava o uso de flanqueadores, o que o beneficiou. Tinha boa técnica e era sobretudo muito incisivo na acções ofensivas – nas quais chegava com certa facilidade à linha de fundo centrando depois, quase sempre, de forma certeira. Da sua passagem pelo Alvalade recorda-se uma empatia enorme entre De Franceschi e os adeptos. Ainda hoje o italiano afirma: “Foram só 8 meses, mas intensos. Joguei bem, as pessoas aceitaram-me e conquistei aquele campeonato. Hoje as pessoas olham para mim e lembram-se disso. Sempre fui discreto, só queria jogar futebol e não parecer mais do que sou. Sinceramente não sei porque recebo tanto afecto, recebi mais do que dei, mas a vida tem estes mistérios. Nem tudo o que é belo se explica.” Foi utilizado em 30 jogos oficiais, marcando 3 golos. Deixou uma óptima imagem no Alvalade mas os responsáveis pelo Futebol leonino na altura acharam excessivo o preço do seu passe....

António Morais – Missão cumprida num contexto muito delicado

António da Rocha Morais nasceu a 30 de Dezembro de 1934 em Vila Nova de Gaia. Esteve em grande parte do seu percurso de futebolista no FC Porto, passando depois por Sp. Braga e Tirsense. Acabada a carreira passou a ser o adjunto de Pedroto. Em 1984 fez parte do grupo de treinadores que dirigiu a seleção nacional no Europeu de França. Após a morte do seu “mestre” passou a técnico principal com trabalhos bem sucedidos no Vitória de Guimarães e Rio Ave. Em 1987/88, sob a presidência de Amado de Freitas, a equipa do Sporting estava verdadeiramente “em cacos” vegetando pelo 8º lugar da classificação do Campeonato Nacional quando António Morais foi chamado ao comando técnico para substituir Keith Burkinshaw. Estreou-se no banco leonino no dia 7 de Fevereiro de 1988 com uma vitória em Vila do Conde por 2-1 e ficou como técnico verde e branco até ao final da temporada. O Sporting acabou no 4º lugar na classificação no Campeonato garantindo o apuramento (que chegou a estar em risco) para as Competições Europeias. O seu melhor momento enquanto técnico sportinguista terá sido a quebra de invencibilidade do FC Porto, no Alvalade, a 9 de Abril de 1988 (2-1). No plano negativo ficou a eliminação da Taça das Taças perante os italianos da Atalanta. Orientou pela última vez a equipa na derradeira jornada do Campeonato Nacional, a 5 de Junho de 1988, na receção ao FC Penafiel (7-0). O defeso seguinte teve que ver com a eleição de Jorge Gonçalves para a presidência e um verdadeiro turbilhão de acontecimentos do qual António Morais acabou por ser mais uma vítima. Apesar...

Eduardo Mourinha – Enorme talento e muita propensão para lesões…

Eduardo Mário Mourinha de Almeida nasceu a 29 de Dezembro de 1908 no Forte de Caxias, onde trabalhava o seu pai (oficial do exército e colaborador do Presidente Sidónio Pais). A família mudou-se poucos anos depois para a Figueira da Foz onde o jovem Eduardo começou bem cedo a jogar futebol na rua. Com 15 anos já alinhava na equipa principal da Naval 1º de Maio. Chegou ao Sporting em finais de 1930, tendo-se estreado oficialmente a 9 de Novembro com uma vitória sobre o Benfica por 2-1 nas Amoreiras. Uma semana depois marcou pela 1ª vez (e logo em dose dupla) num triunfo por 4-1 sobre o União Lisboa. Logo nessa 1ª época esteve presente em 11 dos 15 jogos oficiais do clube (geralmente como extremo-esquerdo) apontando 11 golos (melhor marcador a par de Abrantes Mendes e Rogério). Teve um momento sublime nessa temporada ao marcar 4 dos 5 golos com que o Sporting venceu o Carcavelinhos (no jogo decisivo, a 15 de Março) conquistando assim o seu 7º Campeonato Regional. Outro dia muito importante para ele nesse percurso foi aquele em que marcou o golo solitário na vitória frente ao Benfica (25 de Janeiro) que possibilitou aos leões “assaltarem” a liderança para não mais a largar. Em 1931/32 voltou a ser um dos destaques da equipa estando presente na maioria dos jogos. Marcou outra vez 11 golos atuando na esquerda do ataque. Coletivamente as coisas não correram bem pois não houve títulos para festejar. A sua última temporada como leão foi em 1932/33, uma época muito atribulada em termos pessoais pois esteve largo tempo afastado. Surgiu já na...

Ayew – Um dos protagonistas do título de 2000 tem agora uma Igreja

Ayew Kwame nasceu a 28 de Dezembro de 1973 na cidade de Tamale – Gana. Foi um avançado interessante que passou pelo futebol do Sporting embora tenha permanecido em Alvalade apenas uma época. Começou a ser conhecido pelo facto de ser irmão de Abedi Pele – uma estrela do futebol africano dos anos 80 e 90 do século passado. Pouco a pouco Ayew começou a dar nas vistas por mérito próprio. Ainda junior foi para França, passando mais tarde pelo Egito e Itália. Em 1995 chegou a Portugal para a União de Leiria. Esteve depois no Vitória de Setúbal e no Boavista antes de se transferir para o Sporting no início da inesquecível temporada 1999/2000. Estreou-se oficialmente pelos leões no dia 30 de Agosto de 1999 no Sporting-Vitória de Setúbal para a 2ª jornada do Campeonato. Marcou logo à primeira, no triunfo por 2-1. Ao longo da temporada foi sempre um recurso importante para a equipa devido à sua voluntariedade e codícia. Não sendo um titular indiscutível (sobretudo devido à insuperável concorrência de Acosta), fez 33 jogos oficiais apontando 9 golos – 1 na Taça UEFA (valeu a única vitória europeia da época), 7 no Campeonato (1 deles no jogo decisivo em Vidal Pinheiro) e 1 na Taça de Portugal (que tornou possível a ida à final do Jamor). Jogou pela última vez de “leão ao peito” a 25 de Maio de 2000 na finalíssima da Taça de Portugal frente ao FC Porto (0-2). No final da temporada acabou surpreendentemente dispensado para a Turquia. Pelo seu bom desempenho parecia claro a (quase) todos que teria lugar no plantel para a época...

Nuno Dias – O melhor treinador da História do Sporting CP!

Nuno Sérgio dos Santos Dias nasceu a 28 de Dezembro de 1972 em Poutena – Vilarinho do Bairro – Anadia. Começou a praticar desporto pelo Basquetebol, ainda era uma criança, mas rapidamente passou para o Futebol, no Marialvas, clube onde chegou aos seniores. A necessidade de compatibilizar o desporto com os estudos no seu último ano de curso fê-lo enveredar pelo Futsal, ingressando na Académica (onde ficou 1 ano). Logo a seguir ingressou no Instituto D. João V onde deu nas vistas, sendo chamado à Selecção Nacional, e onde iniciou mais tarde a carreira de treinador, na época de 2006/07 – como tal chegou por duas vezes às meias-finais do play-off do Campeonato Nacional e uma vez às meias-finais da Taça de Portugal. Na época 2011/12 esteve na Rússia como adjunto de Paulo Tavares no CSKA de Moscovo, e a 2 de Julho de 2012 foi apresentado como novo treinador da equipa de Futsal do Sporting CP, sucedendo a Orlando Duarte, naquela que foi, certamente, uma das medidas mais importantes de sempre da História do Sporting. A sua primeira época foi marcada pelo domínio total da modalidade em Portugal (37 vitórias em 39 jogos!), com a conquista do Campeonato Nacional (11º – 3-1 na Luz ao 4º jogo) e da Taça de Portugal (4ª – 7-1 ao Braga). Em 2013 foi distinguido com o Prémio Stromp na categoria “Técnico”. Na temporada seguinte (2013/14) começou logo com duas conquistas – a Taça de Honra da AFL (a 1ª realizada – 3-2 ao Benfica) e a Supertaça (5ª – 4-1 ao Braga), mantendo na equipa um esquema que privilegia a posse de bola e...

Amunike – O melhor africano de 1994 e Campeão Olímpico em 1996

Emmanuel Amunike nasceu a 25 de Dezembro de 1970 em Eze Obodo – Nigéria. Chegou ao Sporting em Outubro de 1994 após negociações dificílimas encetadas pelo então presidente Sousa Cintra (a pedido de Carlos Queiroz) com o Zamalek (clube de origem – onde conquistou vários títulos) e o Duisburgo (onde se encontrava emprestado). Só a excelente capacidade negocial e o poder de antecipação de Cintra permitiu um desfecho favorável da contenda. A aposta revelou-se profícua. Actuando como médio ala esquerdo o nigeriano destacava-se pelo notável empenho no jogo, atacando e defendendo com igual eficácia. Tratava-se de um verdadeiro jogador de equipa que muitas vezes resolvia jogos porque também possuía atributos técnicos assinaláveis. Participou com grande destaque no Mundial de Futebol de 1994 nos EUA (num ano em que ganhou a Taça das Nações Africanas – marcando na final) e estreou-se de “leão ao peito” a 30 de Outubro num Sporting-Beira Mar (2-0). Apontou o seu 1º golo no dia 1 de Dezembro e com ele resolveu o derby frente Benfica para o Campeonato (1-0) – melhor momento para se estrear a marcar era difícil! No final desse ano foi eleito o Melhor Jogador Africano. Esteve 3 temporadas em Alvalade (de 1994/95 a 1996/97 – Dezembro), marcando presença em 70 jogos oficiais e apontando 21 golos. Ganhou uma Taça de Portugal (1994/95) e uma Supertaça (1995/96). No Sporting atingiu indubitavelmente o pico das suas aptidões como futebolista. No Verão de 1996 foi medalha de ouro pela Nigéria nos Jogos Olímpicos de Atlanta, marcando na final à Argentina. O seu último jogo foi realizado a 8 de Dezembro de 1996 num Rio...

Abel – O “professor” tranquilo

Abel Fernando Moreira Ferreira nasceu a 22 de Dezembro de 1978 em Penafiel e foi no clube das sua terra que começou a destacar-se. Em 2000 chegou ao Vitória de Guimarães e 4 anos depois rumou ao rival Braga. Chegou ao Sporting no “mercado de Inverno” de 2005/06 (um empréstimo por troca com Wender) e estreou-se oficialmente (com o treinador Paulo Bento, e ao mesmo tempo que Romagnoli) a 11 de Janeiro num triunfo em casa frente ao Vizela (2-1) para a Taça de Portugal. Nesses primeiros meses em Alvalade logo mostrou boas capacidades, defendendo e atacando bem e ganhando a titularidade (19 presenças). Esse desempenho valeu-lhe a contratação definitiva pelo Sporting por cerca de 750.000€. Apesar da boa época de estreia, só a partir de meados da temporada seguinte voltou a ser opção regular (25 presenças), e com evidentes benefícios para a equipa. A 2 de Abril de 2007 marcou pela 1ª vez, num triunfo em Alvalade frente ao Beira-Mar por 2-0. Deu um contributo importante para a magnífica ponta final da temporada da equipa de Paulo Bento (ficou a 1 ponto do título e ganhou a Taça de Portugal). 2007/08 foi uma temporada longa com a equipa leonina envolvida em 6 competições diferentes. Fruto da sua regularidade, Abel realizou 52 partidas (2 golos – 1 deles em Old Trafford para a Liga dos Campeões), tendo contribuído para os triunfos na Supertaça e Taça de Portugal (ambas frente ao Porto). No ano seguinte a concorrência de Pedro Silva fê-lo alternar com o brasileiro na direita da defesa (sendo, ainda assim, mais utilizado – 32 jogos). Esteve presente no triunfo...
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