1974 – Campeões de Portugal em Futebol pela 18ª vez, sob o signo de Yazalde

19 de Maio de 1974. Depois de ter tido um razoável avanço que se foi perdendo na parte final da prova, o Sporting teve de esperar pela última jornada do Campeonato Nacional para confirmar definitivamente o título (18º), no Barreiro – onde os leões teriam de ganhar para fazer a festa perante uma assistência recorde.

No campo D. Manuel de Melo, o Sporting de Mário Lino alinhou com: Damas; Manaca, Alhinho, Bastos e Baltazar; Nélson, Vagner e Dinis; Marinho (Carlos Pereira), Yazalde (Chico) e Dé.

O 1º quarto-de-hora do Sporting (que surgiu com uma formação bastante ofensiva) foi muito forte, sempre com a iniciativa de jogo, mas esbarrando na muito bem organizada defensiva local. Sem conseguir marcar a equipa ganhou alguma intranquilidade, e depois de um vôo de Yazalde que poderia ter dado golo, foram os barreirenses a criar uma ótima oportunidade na sequência dum livre no qual José João obrigou Damas a defender um 1º remate e depois a recarga.

A partida estava equilibrada quando o Sporting abriu o ativo a 2 minutos do intervalo. Manaca, da direita, centrou por alto para a área contrária, surgindo Baltazar, à vontade, a rematar de pé esquerdo. A bola entrou depois de ainda ter tabelado na trave.

O intervalo chegou e a partida atrasou-se em relação à de Setúbal onde jogavam Vitória e Benfica.

Logo no início do 2º tempo soube-se que o Vitória havia chegado ao empate pelo que as coisas mais se animaram para os lados dos sportinguistas. Para ajudar à festa, logo aos 48 minutos, o Sporting “subiu a conta”. Vagner marcou um pontapé de canto da esquerda, Abrantes saiu mas falhou a interceção e Nélson, apesar de rodeado de adversários, baixou-se e fez o golo de cabeça.

2 minutos se passaram e em novo centro de Vagner a bola saiu rasteira e Yazalde (na foto) fez, merecidamente, o último golo do Sporting neste Campeonato, de pé esquerdo. Estava feito o 3-0 final.

A restante 2ª parte foi algo arrastada, com o resultado feito e os leões à espera do final para festejarem o título. Dé e Manaca, entretanto, foram autores de excelentes segundas partes, que mais consolidaram o futebol do coletivo rumo à vitória.

No final era muito difícil o acesso à cabina do Sporting. O balneário estava em festa, com os naturais abraços e a alegria de chegar ao fim das 30 jornadas em 1º. Para Mário Lino, muito sereno, “Como sempre previ o Campeonato decidiu-se na derradeira jornada. Para satisfação de todos os sportinguistas o Sporting foi a equipa mais regular acabando por triunfar com inteiro merecimento. Nesta hora do triunfo que é de todos – jogadores, dirigentes, massagistas, treinadores, corpo clínico, não esquecemos Jaime Duarte, que sem estar hoje presente, nunca faltou nos momentos maus. O 1º tempo não foi fácil, mas com o nosso ritmo o Barreirense acabaria fatalmente por ceder. Impusémos depois um forcing no início do 2º tempo obtendo mais 2 golos e depois perdemos outras oportunidades. Ao longo do Campeonato não vi equipa nenhuma que se mostrasse superior a nós. A partir de agora vamos pensar em melhorar o nível técnico do nosso quadro de jogadores sem esquecer a Taça de Portugal, que é agora o nosso grande objetivo”.

Yazalde acabou por ser a figura principal desta excelente equipa do Sporting. Marcou 46 golos no Campeonato Nacional, um recorde que ainda se mantém, tornando-se o 1º sportinguista a arrecadar a “bota de ouro” do futebol europeu, e a grande distância dos seus perseguidores – Krankl do Rapid Viena com 32 golos e Gerd Muller do Bayern Munique com 30.

A turma leonina foi extraordinariamente realizadora ao longo da temporada, tendo acumulado 119 golos, 96 dos quais no Campeonato – mais 28 que o 2º melhor ataque, o do Benfica.

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