A única medalha de Mamede em grandes competições internacionais

29 de Março de 1981. No Mundial de Crosse Fernando Mamede lutou com a “nata” do Atletismo mundial, incluindo os “diabólicos” etíopes e , como melhor europeu, só perdeu por 4 segundos para o norte-americano Craig Virgin e 2 para o etíope Kechir, derrotando inclusivamente o campeão olímpico de 10.000 metros, Yifter. A prova disputou-se em Madrid e Fernando Mamede (um dos melhores atletas mundiais – de meio fundo e fundo – de todos os tempos e seguramente o melhor, a par de Carlos Lopes, de Portugal) conquistou a sua única medalha em grandes competições. No final afirmou: “Nunca me passou pela cabeça que pudesse ganhar. Aquilo era uma luta doida entre etíopes e americanos e eu sozinho no meio deles… A cerca de duas voltas do fim fui empurrado e pisado, olhei para perna, sangrava, arrepiei-me, mas reagi… Só no final, me apercebi de que era muito profundo o golpe. Antes do pódio passei pelo posto de socorros, suturaram-me com pontos de plástico (!) e deram-me uma injeção contra o tétano, porque tínhamos corrido numa pista de...

Fernando Fernandes arrebatou título mundial

26 de Março de 1994. Em Kick-Boxing, grande proeza de Fernando Fernandes que arrebatou o título mundial ao francês Mustapha Oumrani na nave de Alvalade onde 1.500 pessoas ficaram em delírio. Nessa madrugada de Sábado para Domingo o público acorreu em grande número à nave de Alvalade, e desde a entrada de Fernando Fernandes no rinque não se cansou de gritar pelo Sporting e por Portugal. O campeão leonino correspondeu entregando-se à luta com grande entusiasmo, fazendo valer a sua melhor técnica e poder físico, combatendo sempre com grande inteligência, não dando hipóteses ao seu valoroso adversário de aplicar no corpo a corpo os poderosos golpes em que era exímio e que já lhe haviam valido diversas vitóras por KO. Com a sua magnífica técnica de pés Fernando Fernandes conseguiu alguns golpes certeiros com o punho esquerdo. No final do 12º assalto do emocionante e arrasador combate, já consciente da sua vitória por pontos, Fernando Fernandes ergueu os braços agradecendo ao público tão inequívoco apoio, público esse que no final passeou em ombros o seu herói. No final, Fernando Fernandes afirmou-se “satisfeito por ter atingido o meu objetivo que era ser Campeão do Mundo, e muito grato a todas as pessoas que me acompanharam desde o início da minha carreira. Pressionei bastante mas senti que o Oumrani era um adversário muito duro e que ía aguentar a pressão, pelo que decidi não arriscar demasiado. As coisas correram-me bem, mas claro que ainda há muito a melhorar. Estou muito grato ao Sporting e a este público maravilhoso que me apoiou e a quem prometo continuar a trabalhar para lhes proporcionar...

Carlos Lopes, o “bancário”, bisou no Campeonato do Mundo de Crosse

25 de Março de 1984. Ambiente frenético no Campeonato do Mundo de Crosse no hipódromo de New Jersey nos Estados Unidos. A seleção nacional conseguiu um magnífico 3º lugar. Com 37 anos de idade, Carlos Lopes obteve uma estrondosa vitória, 8 anos depois do seu 1º triunfo, em Chepstown. No final, perante o batalhão de jornalistas das mais diversas nacionalidades, o “velho leão” surpreendeu afirmando: “Foi fácil! Fiz por me manter sempre no grupo dos primeiros, e como estava com força, arranquei no momento ideal. Sei que não sou especialista nos últimos quilómetros e por isso tive de dar, momentos antes, um esticão. Não é difícil vencer atletas mais novos do que eu porque treino-me tanto e tão duramente como eles. A única diferença é que sei esperar pelas ocasiões certas devido à minha experiência”. Depois perguntaram-lhe o que fazia para além do Atletismo, ao que respondeu: “Trabalho num banco”. Apercebendo-se dos sorrisos de dúvida dos seus interlocutores disse baixinho para Carlos Cardoso (vice-presidente da Federação Portuguesa de Atletismo) que o traduzia: “Se os outros dizem que são polícias ou estudantes ou engenheiros ou doutores, digo-lhes que trabalho num banco…” Questionaram-no então sobre o que fazia no banco: “Muitas coisas, que me dão muito trabalho. Passo 24 horas por semana no meio daqueles papéis todos”, murmurando novamente para Cardoso: “Não trabalho nada mas faz de...

Carlos Lopes, campeão do Mundo de Crosse pela 3ª vez

24 de Março de 1985. “Inacreditável” foi o termo aplicado à nova proeza de Carlos Lopes. Faltavam 2 dias para a competição no Jamor (na qual Portugal organizava pela 1ª vez uma grande prova de Atletismo) e o sportinguista de 38 anos afirmou que Mamede era o principal favorito, apontando para Dezembro próximo a sua retirada da competição. Na prova Lopes teve um desempenho memorável, conseguindo isolar-se na parte final, e quando cortou a meta correu para a mulher que chorava de felicidade. Fernando Mamede quedou-se pelo 11º lugar: “Tenho um enguiço ao Crosse desgraçado. Deu-me uma pontada e não tive mais andamento… Foi a dor no estômago que não me deixou chegar mais à frente”. Poucas semanas antes, no nacional de Crosse, Mamede ganhara a Lopes por quase 1 minuto de diferença. O tri-campeão do mundo revelou agora a sua estratégia: “Assumo que entrei no caminho do bluff! No Nacional de Tróia perdi por grande distância mas só não fiz melhor porque não quis. Com isso as pessoas deixaram de pensar em mim, todos se viraram para o Mamede, houve mesmo quem visse nele o novo D. Sebastião que haveria de chegar ao Jamor para salvar a Pátria. Publicamente, dizia que não estava bem mas dentro de mim só existia um pensamento, que eu era o melhor e só por anormalidade o título me escaparia. O que me deu um grande gozo foi ver que toda a gente acreditou que o Lopes estava acabadinho de todo e até havia quem imaginasse ir ao Jamor para me ver arrastar, como se me arrastasse em via-sacra. Cheguei, fiz a minha...

Auriol Dongmo, Campeã do Mundo do lançamento do peso!

18 de Março de 2022. Auriol Dongmo, atleta do Sporting Clube de Portugal, sagrou-se, esta sexta-feira, Campeã do Mundo no lançamento do peso, em representação de Portugal, no Campeonato do Mundo de Atletismo em pista coberta. A leoa levou a melhor sobre toda a concorrência com a excelente marca de 20m43cm, fixando não só um novo recorde nacional como também a melhor marca mundial do ano na disciplina. Em 2º lugar ficou Chase Ealey (20m21cm) e em 3º Jessica Schilder (19m46cm). Devota de Nossa Senhora de Fátima e muito crente, Auriol Dongmo olhou para o céu antes de lançar a ‘bomba’ que lhe deu o ouro. “Depois do lançamento da Chase Ealey fiquei a olhar para cima, a pedir ajuda a Deus, porque precisava mesmo de ajuda aqui, senão não conseguia fazer uma coisa grande”, assumiu (!). Nos Nacionais de pista coberta, Auriol Dongmo tinha advertido que era preciso ultrapassar os 20 metros para conseguir vencer e assim o fez, numa competição “muito alta (…) É uma alegria imensa e uma medalha que eu queria mesmo. Pedi a Deus que me desse esta medalha”, referiu Dongmo, que admitiu que vai trabalhar agora para os Europeus e Mundiais ao ar livre, “porque nada cai do céu” – então, em que ficamos ?...

Naide Gomes, campeã mundial!

9 de Março de 2008. Nos Campeonatos do Mundo de Pista Coberta realizados em Valência, Naide Gomes foi a vencedora da prova do salto em comprimento ao fazer 7m00cm. Esta marca foi novo recorde nacional de pista coberta (o recorde ao ar livre estava em 7m01cm) e melhor marca mundial do ano. O curioso é que Naide participou na prova padecendo de uma hernia abdominal à qual já estivera para ser operada, e no próprio dia da prova esteve a um passo de se deslocar ao hospital devido às dores! Naide conseguiu a marca dos 7 metros no seu 4º ensaio, depois de ter falhado a 1ª tentativa e de ter registado 6m82cm e 6m87cm nos saltos seguintes. A brasileira Maurren Maggi ainda colocou em perigo o ouro de Naide – com um salto de 6m89cm que na altura a colocou no 1º lugar – mas, no final, a portuguesa conseguiu o lugar mais alto do pódio. A russa Irina Simagina ficou no 3º lugar, conquistando a medalha de bronze. No final Naide afirmou: “Sabia que tinha de me concentrar e que podia ser campeã. Se faço 6m90cm num meeting, posso fazer 7 metros ou mais em campeonatos (…) Tenho trabalhado muito, muito, e vou continuar a trabalhar. Este ano não pus os pés nas aulas, é mesmo para trabalhar, trabalhar, trabalhar…”,, explicou Naide para justificar o ouro. A campeã sportinguista acrescentou ainda: “Trabalhámos muito para chegar aqui em grande nível. Sinto-me mais determinada, com mais empenho e acreditei sempre, mesmo no último ensaio, que podia ganhar, ao contrário do que aconteceu em Osaka. Trabalhei isso mentalmente e tenho que continuar...

1º título mundial para Naide Gomes e Rui Silva também em destaque

5 de Março de 2004. Os atletas do Sporting estiveram em destaque nos Mundiais de Pista Coberta em Budapeste. Rui Silva ficou 2º nos 3.000 metros, Francis Obikwelu ficou em 6º nos 60 metros, mas foi Naide Gomes quem brilhou intensamente ao sagrar-se Campeã Mundial (bateu o recorde nacional do salto em altura com 1m88cm e aumentou para 4.759 o recorde nacional do Pentatlo). O Sporting fez melhor que as seleções de Espanha, Itália, França e Alemanha! Naide, felicíssimo, afirmou no final: “”Esta vitória dá sentido aos muitos anos de trabalho que tenho até chegar aqui. Foi um sonho realizado e não podia estar mais feliz. As emoções foram muitas. Começaram quando bati o recorde nacional do salto em altura e acabaram quando soube que a medalha de ouro era minha e de Portugal. Ouvir o hino foi espantoso, nem sei como consegui estar no pódio sem chorar. Este resultado também se deve em grande parte ao meu treinador, o prof. Abreu Matos, que até acreditava mais do que eu que isto seria...

Kickboxing – André Santos revalidou título mundial!

4 de Março de 2023. André Santos, atleta de Kickboxing do Sporting CP, revalidou neste sábado o título de Campeão do Mundo WAKO Pro em K1 66,8 kg. No Pavilhão Desportivo de Vilarinho do Bairro, em Anadia, o português superou o turco Emre Korkmaz por decisão unânime dos juízes (50-48) e segurou um cinturão que havia conquistado em Agosto de 2022. Num dos combates mais complicados da carreira, André Santos viu os 3 primeiros assaltos serem bastante disputados, com o leão a pressionar mais enquanto Emre Korkmaz apostava no contragolpe com perigosos pontapés rotativos. Mesmo perante uma oposição de qualidade, André Santos respondeu muito bem nos últimos 2 assaltos, conseguindo assegurar a vitória. No final do evento, o Campeão Mundial destacou o “bom combate, muito bem disputado por ambas as partes (…) Penso que o público que esteve presente na arena gostou, os fãs do Kickboxing gostaram e isso é o mais importante. O título ficou em casa e isso significa muito porque é para isto que trabalhamos todos os dias. Fico muito contente por ganhar mais um título para mim, para a minha família, para o meu clube e para o meu país. Agradeço ao promotor Paulo Santos e à Federação Internacional WAKO PRO por tornarem isto possível, é importante que tudo isto aconteça e que haja mais eventos destes em Portugal. Só assim é que o Kickboxing português pode continuar a crescer e só assim é que podemos trazer estes grandes títulos para o nosso...

Carlos Lopes vence o seu 1º Mundial de Crosse

28 de Fevereiro de 1976. Carlos Lopes, o franzino sportinguista, atingiu o “topo do mundo”. No Crosse das Nações em Chepstow (País de Gales) Carlos Lopes triunfou de forma espetacular, sagrando-se Campeão do Mundo e deixando para trás, um a um, os atletas mais famosos. Esta constituiu a mais bela proeza individual do Atletismo português até à data. Após 4.000 metros à cabeça do grupo das “feras”, Lopes acelerou e começou a provocar a erosão do mesmo até ficar sozinho no comando da corrida. Enquanto os seus mais credenciados adversários íam ficando para trás, incomodados e desgastados pela irregularidade do piso revolto do hipódromo, o nosso campeão parecia estar a correr numa pista de tartan tal era a leveza do seu estilo e a eficácia do seu andamento. Na meta Lopes deu mais de 16 segundos ao 2º classificado – o inglês Simons, que por sua vez também cortou isolado a linha de chegada. Lismont, Uhlemann, Mariano Haro, Gaston Roellants e outras estrelas mundiais foram batidas sem apelo nem agravo pelo português. À chegada à meta, atrasado 100 metros em relação ao nosso compatriota, Simons perguntou quem era o fulano que ganhara a corrida. Disseram-lhe que tinha sido o português Lopes. Desdenhosamente retorquiu: “Não o conheço”. O inglês devia ter problemas de memória porque Lopes já o vencera em San Sebastian, não muito tempo antes. Incapaz de cair em deslumbramentos, o campeão confessou que “os outros” o tinham deixado fugir convencidos de que ele não aguentaria o ritmo, “mas as forças redobram quando se vai à frente”. À chegada a Lisboa Fernando Mamede afirmou: “Quando me apercebi de que o Lopes ia...
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